sábado, 16 de junho de 2018

Herança Portuguesa (Arquitetura)


O vídeo abaixo é fruto de um trabalho de um grupo de universitários da Universidade do Estado do Amazonas, o qual trata de algumas edificações portuguesas no município de Manacapuru, região metropolitana de Manaus.


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Viagens & Memórias Literárias

VIAGENS LITERÁRIAS

Johnatas Silva
Apresentação
Aqui estão alguns registros feitos no decorrer das aulas de Literatura Infantojuvenil. A propósito é deixar registrado minhas impressões e aprendizado adquiridos nos dias em que estivemos trabalhando a supracitada literatura. Foram bons momentos, marcantes até eu diria, com diálogos francos e bastante significativos acerca dos temas propostos nas obras trabalhadas. Certamente levarei comigo todo o conhecimento construído nesse período.
Aula 1: 25 de outubro de 2017
As primeiras aulas do componente curricular Literatura Infantojuvenil já se mostraram bem atrativas. E não poderia ser diferente, uma vez que os professores são Valdemir e Evany, uma dupla sensacional em todos os aspectos, mas principalmente no que se refere à criatividade. Tivemos interação entre os municípios desde os primeiros contatos com os professores. Sempre bem caracterizados, os professores inserem-se nos temas propostos de cada aula, o que particularmente atrai mais minha atenção aos conteúdos trabalhados, facilitando a assimilação dos objetivos propostas para cada aula.
Os professores, junto com alguns alunos, destacaram o lançamento da primeira e segunda edição do livro Memórias Literárias, que consiste numa coleção relatos vividos por alunos em suas experiências de leitura. A primeira edição nos foi disponibilizada em PDF e já dei uma olhada na obra, inclusive já li um relato, e achei muito interessante. Tivemos uma experiência semelhante no componente curricular Teoria e Prática da Leitura, na qual tivemos que relatar nossas memórias de leitura, a partir do resgate do passado e de nosso contato com os textos.
Aula 2: 26 de outubro de 2017
Como eu previa, os primeiros conteúdos apresentados foram as definições e conceitos do que é, de fato, Literatura Infantojuvenil. Góes (2010) foi bastante citada (o que se pode conferir também a partir do livro-texto) nessas primeiras aulas. De acordo com a autora, a literatura infantojuvenil está definida nas questões editorias, mas não tanto assim no campo do estudo da literatura em si. Ela “conclui é que um livro pode ser lido tanto pela criança quanto pelo adulto, então literatura infantil é linguagem carregada de significados até o máximo grau possível e dirigida ou não às crianças, mas que responda às exigências que lhes são próprias” (2010, p. 27).
Ainda nessas primeiras aulas foram explanadas as categorias de leitor: pré-leitor, leitor iniciante, leitor em processor, leitor fluente. Depois um aprofundamento nas definições de literatura infantil, literatura infantojuvenil, literatura juvenil e suas variações. Junto com as definições foram mostrados e trabalhados os contextos históricos e socioculturais em que as obras que são categorizadas como literatura infantojuvenil nasceram.
Aula 3: 27 de outubro de 2017
Nesse dia eles estavam vestidos de personagens. Em um dos momentos, os professores ministraram a aula inteira caracterizados como personagens de muitas obras – a maior parte clássica – da literatura estudada. Alguns alunos também fizeram parte da aula vestidos de diferentes personagens. O cenário foi uma espécie de “rave” e vez ou outro uma música eletrônica era tocada e todos, vestidos de personagens, começavam a dançar. Obras clássicas foram trabalhadas.
Aula 4: 30 de novembro de 2017
A aula nesse dia foi bem interessante. O cenário era a cabine de um avião e um saguão de aeroporto. Cada momento aula eles “pousavam” em um lugar diferente, correspondente ao autor e obra trabalhados. Alguns destinos foram França, Dinamarca e Alemanha. Autores clássicos: La Fontaine, Charles Perrualt, Jacob e Wilhem Grimm e Hans Christian Andersen, sendo este último bastante comentado por ser autor de clássicos mundiais.
Aula 5: 31 de outubro
Rádio VAT: Ondas literárias. Aula foi em formato de programa de rádio. Contos de fadas, fábulas etc. Definindo, conceituando e exemplificando principalmente com obras clássicas, dentre elas A Bela Adormecida; Branca de Neve e os Sete Anões; Chapeuzinho Vermelho; A Gata Borralheira; O Ganso de Ouro; Os Sete Corvos; Os Músicos de Bremen; A Guardadora de Gansos; Joãozinho e Maria; O Pequeno Polegar; As Três Fiandeiras; O Príncipe Sapo.
Aula 6: 6 de novembro de 2017
Hoje os professores estão vestidos de chefs de cozinha. O cenário é o de uma cozinha e o tema central da aula é Delícias Literárias. Gostei do vídeo da banda Carrapicho. O que está sendo trabalhado nessa aula é a literatura infantojuvenil regional. Uma ênfase recai sobre a Editora Valer por sua enorme contribuição para a produção literária amazonense. Algumas obras citadas e discutidas na aula foram: Ararinha-azul, o sumiço, de Aldísio Figueiras; A lenda da Vitória-Régia, de Cristina Marinho; O som das letras, de Elson Farias; Os passarinhos e outros bichos, de Tenório Telles;
Cada obra citada foi mostrada em forma de receita culinária. Muito criativo. Os professores comentaram cada uma delas na apresentação da receita e mostraram também vídeos que auxiliaram no entendimento dessas obras. Vídeos esses voltados para questões regionais, principalmente no que se refere à linguagem. Acredito que um dos propósitos principais dessa aula foi a valorização das obras da nossa terra, além de claro mostra a importância delas para nossa cultura.
Aula 7: 7 de novembro de 2017
Hoje aula está voltada para a literatura indígena. Os professores estão vestidos com roupas que fazem alusão à cultura indígena e o cenário é uma espécie de oca, contendo vários utensílios específicos dessa cultura. Alguns escritores indígenas trabalhados hoje: Daniel Munduruku, Yaguarê Yamã, Tiago Hakiy, Olívio Jekupé etc. Eles estão lendo trechos de obras dos respectivos autores e comentaram sobre elas. 
Teve uma convidada especial, Mara Pacheco, que desenvolve pesquisas na área da cultura indígena e que também auxilia muitos deles que vêm para a capital estudar. Ela fez uma performance de dança indígena muito boa na parte final da aula. Nosso grupo (Verde) irá trabalhar na feira-literária com um dos autores aqui citados: Yaguarê Yamã. Vamos contar algumas de suas estórias de infância, vividas em sua aldeia aqui no Amazonas.
Aula 8: 8 de novembro de 2017
Mais uma vez a aula foi “por meio” da Rádio VAT, programa Ondas Literárias. O que sendo trabalhado hoje é a literatura infantojuvenil contemporânea. Já foi mencionado que para entender melhor o contexto atual da literatura produzida em nossos dias é necessário ter noção das linguagens multimodais e do multiletramente, principalmente por conta do avanço tecnológico em que vivemos.
Dentre as características dessas obras contemporâneas estão: mistura de tendências estéticas (ecletismo); união da arte erudita e da arte popular; prosa histórica, social e urbana; poesia intimista, visual e marginal; temas cotidianos e regionalistas; engajamento social e literatura marginal; experimentalismo formal; técnicas inovadoras (recursos gráficos, montagens, colagens, etc.); formas reduzidas (minicontos, minicrônicas, etc.); intertextualidade e metalinguagem.
Autores contemporâneos citados: Ariano Suassuna, Antonio Callado, Adélia Prado, Ferreira Gullar e Nélida Piñon. E é discutido sobre os leitores desse tempo moderno. Fomos questionados sobre o que estamos consumindo (literatura) no dia a dia. Os professores deram seus exemplos pessoais de leitura e mostraram algumas obras que estão em processo de leitura.
Agora estamos falando sobre as narrativas (migrantes) que de livros foram para o cinema, ou de games para o cinema, ou filmes que foram para os HQs (e o inverso). Vários exemplos foram dados, principalmente as produções da Disney. Não foi citado na aula, mas ouvindo essas informações me lembrei de que uma outra migração tem acontecido com frequência ultimamente: Youtubers (pessoas que produzem conteúdo em vídeo para a internet) transformando seus canais em livros, e alguns já estrelaram até filme, como aconteceu no ano passado com a youtuber Kéfera Buchmann, que estrelou o filme É Fada. Muitos desses artistas (vou defini-los assim) têm lançado livros baseados nas suas experiência e vivência na grande rede.
Aula 9: 09 de novembro de 2017
Hoje a aula está em formato de programa de entrevista. O nome do programa é Literatura em Foco. A professora Evany está interpretando uma personagem: Eva Paradise. Como ontem, hoje ainda estamos estudando sobre a literatura infantojuvenil contemporânea, os tipos de leitores da modernidade e a relação entre literatura e cinema.
Eles estão mostrando um material contendo livros que viraram filmes. Dentre eles estão Mulher Maravilha, O Silêncio, It: a coisa, Cinquenta tons de cinza, A garota do trem, A cabana etc. E para complementar, eles inseriram a relação da música com as obras cinematográficas. Há toda uma contextualização de como se iniciou o processo de trilha sonora dos filmes e exemplos com vários vídeos contendo esse hibridismo.
Na segunda parte da aula o cenário foi mudado. Agora o formato do programa é Literatura Alerta. A primeira obra comentada é As Crônicas de Narnia, de C.S Lewis. Depois Senhor dos Anéis. A professora Evany faz um breve resumo delas e pontou a importância dessas e de outras obras nos dias hoje. Lógico que não poderia faltar os livros do bruxo mais famoso do mundo, Harry Potter. Escrito pela britânica J.K Rowling, esse sucesso é a séria escrita mais vendida em toda história. Os filmes, baseados nos livros, também sucessos mundiais, principalmente entre jovens e adolescentes. Es aí um bom exemplo de que produções literárias podem se dar muito bem nas telas.
Aula 10: 10 de novembro de 2017
Hoje não temos aula via IPTV. Estamos todos na sala discutindo os últimos detalhes da nossa Feira Literária Infantojuvenil, que acontecerá na segunda-feira (dia 13). Começaram neste momento os comentários sobre a leitura dos textos do livro Memórias Literárias, o qual foi organizado pela professora Evany. Os colegas relataram as impressões que tiveram dos textos lidos. Alguns disseram que se identificaram bastante com os relatos, encontrando histórias emocionantes.
Depois desse momento, cada grupo comentou sua experiência em ir às escolas poder de alguma forma provar sua realidade no que se refere às obras infantojuvenis disponíveis. Relataram que muitas estão em precariedade, não só no acervo disponível, mas também na própria infraestrutura e espaço dedicados a biblioteca.





MEMÓRIAS LITERÁRIAS

Na Teoria e Prática da Leitura fiz uma memória literária e coloquei tudo o que me veio à mente sobre minha relação com a leitura. Então, para não ser redundante e ter que repetir tudo outra vez, vou me focar somente no que realmente importa para essa memória aqui: literatura infantojuvenil.
Meus primeiros contatos com esse tipo de literatura foi oral. Minha avó me contava muitas estórias quando eu era pequeno e sinceramente esse é o único registro que tenho sobre literatura infantojuvenil. Tive contato com textos escritos, é verdade, mas foram pouquíssimos. Nunca li uma obra infantil inteira, somente fragmentos, e mais, não foram gêneros variados, e sim somente um: histórias em quadrinhos da Turma da Mônica. É isso. Espero poder ler, agora que fui impulsionado a isso por causa das aulas, uma obra infantojuvenil completa.








domingo, 15 de outubro de 2017

Comentário sobre o livro "Morri para Viver", de Andressa Urach


O que me atraiu para essa leitura não foi o fato da Andressa Urach ser famosa e conhecida em todo país, e sim porque eu preciso muito ler algo que retrate a vida na sua forma nua e crua. Já estou quase para terminar a leitura e digo com sinceridade que ela tem me sensibilizado. A autora abre as portas do seu coração e faz revelações incríveis. Mostra até que ponto o ser humano pode chegar para conseguir fama e dinheiro. Mostra o que há de fato nos bastidores da fama: drogas, prostituição, etc., e como consequência, depressão, angústia e dor.
Graças a Deus, tudo é contado pela autora como um testemunho, pois segundo suas próprias palavras, hoje ela é uma nova pessoa, e aquela velha Andressa, de um passado tão obscuro, já não existe mais. E eu creio nisso, porque sei que Jesus é o único que pode nos dar uma nova vida, transformando nosso caráter e mudando nossa história.
2 Coríntios 5.17: “Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas!
Trechos do livro:
“Dia após dia, avanço em meu novo estágio de vida carregando marcas cruciantes no meu corpo após a internação que quase me levou à morte.”
“As dores contorciam meu corpo. Eu me apertava com força na esperança de sufocar tanto sofrimento.”
“Meu quadro se tornava cada vez mais complicado. Eu entrei em coma.”
“A minha alma não estava presa ao corpo. Eu estava na fronteira da morte. A sensação era nítida: estava partindo para o outro lado, era o fim da vida para mim.”
“Era uma luz acolhedora. Era a paz absoluta. A experiência é impossível de ser reproduzida com fidelidade em palavras. Era Deus. Eu sei que era Deus. Eu vi Sua luz.”
“Eu nunca pensei duas vezes sobre entrar na faca. Quando as pessoas me avisavam sobre os perigos das cirurgias, eu só pensava que resolveria o problema se ele aparecesse.”
“Meu histórico com as plásticas é longo. Fiz loucuras de que me arrependo. Mergulhei fundo nesse universo de transformações irracionais do corpo.”
“O vício desenfreado pelas plásticas me custou um preço alto. E eu o estava pagando internada, durante semanas, em coma na UTI.”
“Eu sempre ouvi falar das histórias de gente excluída recuperada pela ação da fé.”
“Mas confesso que lutei para isso acontecer. Achei que não havia solução para mim. Achei que Deus jamais me perdoaria por tantos erros cometidos, um atrás do outro, e de maneira inconsequente. Achei que eu mesma nunca me perdoaria pela vida que construí.”
“Um passo decisivo foi parar de sentir autopiedade. Assumi meus erros para mim mesma. A culpa de tudo não poderia ser unicamente dos meus abusos e traumas da infância. Quantas mulheres se reerguem desse labirinto e conseguem vencer na vida, se tornar pessoas de bem e com amor-próprio?”
“A palavra redenção ganhou um significado amplo para mim. Libertação, proteção, salvação, socorro.”
“Tenho certeza absoluta do perdão de Deus e vivo essa crença sincera unicamente pela convicção nas promessas da Bíblia e nunca, jamais, porque sou ou me reconheça merecedora disso.”

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Menino na chuva


Análise do Módulo 7 "Poema e sentido: namoro à vista" do livro Diálogo em Gêneros, de Eliana Santos Beltrão e Tereza Gordilho

Abaixo registro minhas respostas dadas a uma série de perguntas relacionadas à análise de um livro didático. Devido o tempo, não analisamos um livro inteiro, e sim somente um de seus módulos – no caso o 7 (Poema e sentido: namoro à vista). O livro tem por título Diálogo em Gêneros, e as autoras são Eliana Santos Beltrão e Tereza Gordilho. A prova tinha como pontuação máxima 8,0 e eu, para minha surpresa, consegui os 8,0 pontos.
Johnatas Silva*
Questão 1.
Os aspectos gráficos do livro didático “Diálogo e Gêneros”, de Eliana Santos Beltrão e Tereza Gordilho apresentam cores e tons diferenciados, imagens variadas, as quais podem ser encontradas do início ao fim do módulo 7, “Poema e sentido: namoro à vista”. No que se refere às seções, os conteúdos do módulo apresentam os objetivos que serão abordados: texto, conversando sobre o texto, , explorando o gênero (atividade),  a linguagem, gênero em diálogo, por dentro da língua, linguagem e sentidos. Essas seções estão destacadas por uma cor diferenciada e o texto do título está em negrito com letra maior etc.
A sequência de atividades propostas procura observar a linguagem utilizada nos poemas, trabalhando com os sentidos produzidos pela linguagem verbal dos poemas e requerendo que o estudante produza descrições dos textos apresentados, respondendo questões objetivas e subjetivas. As atividades solicitam que o aluno aponte as temáticas trabalhadas no texto, o que está em consonância com o Descritor 6 – Identificar o tema de um texto (SAEB, 2011, p.33). Essas atividades seguem o Guia do PNLD 2018: “A prática do ensino de leitura também denota suficiência satisfatória para desenvolver a competência leitora dos estudantes [...]”.
Acerca do uso do livro didático pelo professor em sala de aula, é importante destacar que ele (o livro) não é o único material que o professor usará para ministrar suas aulas. Ele é, na verdade, um valioso recurso para o acesso à informação, cultura e conhecimento. Ao professor cabe o uso correto e adequado desse material, visando como meta principal aulas carregadas de conteúdos que contribuam para uma aprendizagem significativa. Os livros didáticos, ao longo dos anos, vêm sofrendo inúmeras transformações, as quais em boa parte são para melhor. As editoras têm investido muito na incorporação de novas tecnologias, avanços metodológicos e recursos gráficos, afim de atender as diretrizes da educação no Brasil e propiciar qualidade de conteúdo para educadores e educandos. O livro didático é, sem sombra de dúvidas, um importante instrumento de apoio ao trabalho do professor.
Questão 2.
As atividades de leitura e interpretação de texto têm uma proposta centrada na leitura, em sua maioria, de textos de autores consagrados e textos atuais, principalmente em tirinhas, que fazem parte do cotidiano dos alunos, como por exemplo as tirinhas de Calvin e Haroldo. Essas atividades seguem o mesmo modelo: leitura de um texto e depois discussão, reflexão e análise deste. Nas atividades, as questões exigem que os alunos identifiquem o que há de explícito e implícito nas obras trabalhadas, por exemplo: apontar o tempo, discorrer sobre características do eu lírico, identificar sentimentos, transcrever partes do texto para análise e apontamento de algo que se pede etc. Essas atividades se alinham aos Descritores 1 e 4 do SAEB 2011: “Localizar informações explícitas em um texto” e “inferir uma informação implícita em um texto” (p. 22). A interpretação de texto faz o aluno pensar além porque o instiga em sua imaginação e o faz relacionar o que é abordado nos textos à sua vida real. Exemplo: na página 244 é solicitado que o aluno imagine muitas histórias, tendo por base uma cena vista anteriormente. Depois disso, ele deverá criar sua própria história, em poucas linhas, e dar um título a ela.
O aluno é levado a relacionar o texto lido com outros dos quais ele possui conhecimento, fazendo com que ele faça uso de seus conhecimentos de mundo existentes. Acerca disso, o Descritor 20 diz: “Reconhecer diferentes formas de tratar uma informação na comparação de textos que tratam do mesmo tema, em função das condições em que ele foi produzido e daquelas em que será recebido” (SAEB, 2011, p.22).
Existe sim uma clareza acerca dos conceitos do gênero textual “poema”, mas não de forma direta. Eles são construídos e exemplificados através das atividades propostas e principalmente através de vários boxes que acompanham os textos. Nesses boxes existem vocabulários e questões conceituais, como por exemplo o significado do que é intertextualidade, verso e estrofe, rimas, variação histórica, figuras de linguagem, entre outros. Tudo isso implica na habilidade de o aluno reconhecer gêneros textuais diferenciados e sua função social: informar, convencer, advertir, instruir, explicar, comentar, divertir, solicitar, recomendar etc (Descritor 12, SAEB, 2011, p. 40).
Questão 3.
A seção “Por dentro da língua” trata do termo da oração adjunto adnominal. Os conceitos gramaticais acerca dele são apresentados, de forma bem direta, e também construídos à medida que os alunos respondem às atividades. A estratégia para a construção desses conceitos é fazê-lo voltar ao texto e identificar onde um termo sintático aparece na estrutura frasal do poema, por isso que os exercícios de análise linguística estão estritamente ligados ao texto. Há reflexão sobre os sentidos promovidos pelos conhecimentos linguísticos, como por exemplo na questão “d” da página 245, quando é pedido que o aluno descreva que palavras o eu lírico escreve para sua amada. As palavras são adjuntos adnominais, que auxiliam o aluno a fixar mais o conceito sobre o termo estudado e também refletir sobre o que se desperta ao ler textos construídos dessa maneira.
Para finalizar essa abordagem sobre as questões linguísticas, cito o Guia do PNLD 2018: “[...] no tocante ao eixo de Análise Linguística, analisaram-se a pertinência e a coerência da perspectiva adotada para o estudo da língua, observando as atividades e reflexões propostas no que diz respeito à natureza e ao funcionamento linguístico, à seleção e abordagem dos conteúdos em franco diálogo com os demais eixos do ensino e ao tratamento dado às convenções linguísticas” (p. 14).

*Aluno do 5º perído do curso de Letras (Mediado) Língua Portuguesa da UEA - Universidade do Estado do Amozonas.

domingo, 8 de outubro de 2017

Na minha opinião o melhor comentário sobre a exposição do MAM

Diante da enxurrada de opiniões sobre o caso do MAM (nudez e criança), reproduzo o texto de Luciano Trigo:

Carta aberta à dona Regina

Não sei como chegou até a senhora a notícia da performance no Museu de Arte de Moderna de São Paulo, na qual uma menina de 5 anos foi estimulada pela mãe a interagir fisicamente com um homem adulto nu – para deleite de uma plateia de adultos vestidos. Também não faço ideia de como a senhora foi parar na plateia de um programa televisivo cuja intenção não parecia ser expor diferentes pontos de vista sobre o episódio, mas sim reforçar um pensamento único e um julgamento sumário – o de desqualificar qualquer crítica à performance como “censura”.

O que eu sei é que a senhora entendeu algo que passou despercebido ao discurso hegemônico dos intelectuais e artistas que se manifestaram sobre o caso: o problema da performance não estava na nudez; o problema da performance não estava nas fronteiras da definição do que é arte; o problema da performance não estava no uso de recursos públicos. Com uma só palavra a senhora desmontou a fala daqueles que, de maneira sincera ou falsa, insistiam nesses pontos: a palavra foi “criança”.

Talvez a senhora não se dê conta da importância da sua manifestação. Com seu jeito simples, o que a senhora fez foi revelar o abismo crescente que se cava entre os brasileiros comuns e a classe que pretende falar em seu nome. Esses brasileiros não se chocam com a nudez nem estão interessados na arte das elites pensantes e falantes, até porque têm mais o que fazer. Mas, para esses brasileiros, a infância é uma fronteira que não pode ser ultrapassada. O que a senhora fez foi vocalizar o desconforto do Brasil real diante desse limite que foi desrespeitado.

A reação dos apresentadores foi reveladora desse abismo. Diante de uma idosa que poderia ser a mãe ou avó querida de qualquer espectador, as expressões e olhares foram de: perplexidade, ódio, desprezo, deboche. E a senhora respondeu com um olhar de bondade, sereno e doce. Ao “Não vou nem comentar” emitido com ar de desdém e superioridade moral, a senhora respondeu com a paciência de quem não se incomoda em explicar o óbvio: o choque não vinha da nudez do adulto, vinha da exposição da criança. E o fato de a menina estar acompanhada da mãe não era um atenuante da situação: era um agravante.

Diferentemente dos intelectuais do Facebook, a senhora sabe que o que aconteceu no MAM não tem nada a ver com o Davi de Michelangelo; que o que aconteceu no MAM não tem nada a ver com o que acontece em praias de nudismo, onde aliás as regras são bastante rígidas; que o que aconteceu no MAM não tem nada a ver com os hábitos e costumes da Dinamarca; que o que aconteceu no MAM não tem nada a ver com uma criança tomar banho nua com os pais – adultos cujo vínculo afetivo e convivência cotidiana fazem do contato físico e da intimidade uma experiência positiva e saudável para o seu desenvolvimento emocional e psicológico – como aliás afirma uma nota na Associação Médica Brasileira que critica duramente a performance, por suas “repercussões imprevisíveis” diante da vulnerabilidade emocional da criança.

Não sei se esses intelectuais das redes sociais não entendem ou se fingem que não entendem nada disso. O mais irônico, Dona Regina, é que eles parecem não se dar conta da campanha involuntária que estão fazendo, ao jogarem no colo da direita a bandeira da defesa da infância – como já jogaram, aliás, a bandeira do combate à corrupção. Com progressistas agindo dessa maneira, os conservadores agradecem. Parabéns, Dona Regina. Para quem assistiu foi muito legal.

Luciano Trigo
08/10/2017

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

LIVROS QUE LI EM 2016

1. A Língua de Eulália
Autor: Marcos Bagno
Editora: Editora Contexto
Ano: 15. Ed. 2006

Comentário: O livro traz temáticas relevantes no que diz à língua portuguesa e seu ensino no Brasil. Temas como o preconceito linguístico são tratados de forma séria e com fundamentos históricos e científicos difíceis de serem refutados. Com uma narrativa cativante, o autor discorre sobre as diferenças entre o português padrão e o não-padrão, explicando cientificamente os fenômenos naturais da língua e desmitificando o mito da unidade linguística (mito da língua única) no Brasil.
Equipara as mais variadas formas de português falado no Brasil com as relações socioeconômicas, afirmando que o preconceito linguístico advém, em suma, das diferenças de classes existentes no país. O autor dar considerada ênfase ao trabalho e a prática do professor, principalmente o de língua portuguesa. Por fim, mostra grande parte das características e funcionalidades da variedade linguística falada no Brasil: o português não-padrão (PNP).

2. Integridade Moral e Espiritual: O Legado do Livro de Daniel para a Igreja de Hoje
Autor: Elienai Cabral
Editora: CPAD
Ano: 2014

Comentário: Por destacar o aspecto moral e espiritual da vida do profeta Daniel, o livro mostra como Daniel permaneceu fiel ao seu Deus, mesmo estando longe de sua terra natal, quando ainda era um adolescente. O autor mostra o que Daniel fez para não se contaminar com o sistema pagão da Babilônia, e como permaneceu firme em suas convicções de fé, sendo leal ao seu Deus até as últimas consequências.
O autor também reserva a maior parte do livro para falar das experiências vivenciadas por Daniel. O profeta teve sonhos, visões, interpretações e revelação profundas da parte de Deus, tanto relacionadas a seu tempo quanto a um período vindouro. Dessa forma, o autor arrisca-se em desencadear uma série de interpretações escatológicas, comparando as profecias de Daniel com outras partes da Bíblia, principalmente com o livro de Apocalipse.

3. O Que é Ideologia
Autor: Marilena Chauí
Editora: Brasiliense
Ano: 1980


Síntese: O livro faz menção a alguns teóricos sobre a concepção do termo ideologia, mas pauta-se definitivamente nas definições de Marx e Engels. Para eles ideologia é resultado da divisão social do trabalho (intelectual e material); são ideias de uma classe dominante de uma época – internalizadas e automatizados na classe dominada, de modo que a dominação não seja percebida em sua realidade concreta; é instrumento de dominação; é transformar as ideias particulares da classe dominante em ideias universais, válidas para toda sociedade; é uma ilusão à dominação de classe. “A ideologia é umas das formas de práxis social:  aquela que, partindo da experiência imediata dos dados da vida social, constrói abstratamente um sistema de ideias ou representações sobre a realidade”.

Infelizmente 2016 não foi um dos meus melhores anos no que se refere à leitura. É meio constrangedor ter que reconhecer, uma vez que sou estudante de Letras Língua Portuguesa. E 2017 está indo pelo mesmo caminho (risos). Espero poder me "redimir" até dezembro. 

Herança Portuguesa (Arquitetura)

O vídeo abaixo é fruto de um trabalho de um grupo de universitários da Universidade do Estado do Amazonas, o qual trata de algumas edificaç...