sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Resumo da UNIDADE A do livro Fonética e Fonologia do Português Brasileiro

Resumo da UNIDADE A do livro Fonética e Fonologia do Português Brasileiro, de Izabel Christine Seara, Vanessa Gonzaga Nunes e Cristiane Lazzarotto-Volcão

Johnatas Silva
O capítulo I da UNIDADE A do livro Fonética e Fonologia do Português Brasileiro, traz de início o objeto de estudo da Fonética e da Fonologia, bem como a distinção que há entre elas. Para as autoras, “tanto a fonética quanto a fonologia investigam como os seres humanos produzem e ouvem os sons da fala” (p. 11), sendo a Fonética responsável por estudar esses sons a partir dos órgãos que os produzem e a Fonologia responsável por estuda-los de forma sistemática e organizada dentro de cada língua específica.
O capítulo II aborda Fonética Articulatória. Trata-se de identificar quais os órgãos articuladores da fala. É apresentado então o aparelho fonador – conjunto de órgãos responsáveis pela produção dos sons da fala (boca, nariz, língua, pulmões, laringe, faringe, traqueia, etc). Esses órgãos, chamados também de articuladores, são divididos em ativos, que são os que se movimentam para a produção dos diferentes sons da fala (língua, lábio inferior, véu do palato, pregas vocais) e passivos, constituídos pelo lábio superior, dentes superiores, palato duro e palato mole.
O capítulo III discorre sobre os Segmentos Fonéticos e tem como objetivo identificar os movimentos articulatórios de vogais e consoantes, bem como cada um de seus órgãos articuladores. São também classificados os Segmentos Fonéticos a partir de seu ponto e modo de articulação e vozeamento. As autoras então apresentam os Segmentos Vocálicos e os Segmentos Consonantais. Como as vogais são produzidas com o ar saindo direto dos pulmões, elas se distinguem das consoantes exatamente pela “inexistência de obstrução à saída de ar no trato vocal” (p. 25). Ainda dentro do Segmento Vocálico, são apresentadas as vogais orais e nasais e também todo o processo de produção de sons delas: altura e posição da língua, posição da boca (abertas, semiabertas, fechadas), o movimento dos lábios (arredondadas, não arredondadas), se são anteriores, posteriores, centrais, encontros vocálicos (ditongo, tritongo, hiato), dentre outros.
Ainda no capítulo III está presente os Segmentos Consonantais. As autoras o dividem em dois grandes grupos: os segmentos surdos (não-vozeados) e os sonoros (vozeados). Como já foi dito, diferentemente das vogais, as consoantes, ao serem articuladas, precisam de obstrução parcial ou total do ar. As consoantes surdas são as que não necessitam da vibração das pregas vocais (Ex. pata, faca), já as sonoras necessitam da vibração das pregas vocais (Ex. bode, zona). Os pontos de articulação das consoantes são: bilabial, labiodental, dental, alveolar, alveopalatal, palatal, velar, uvular e glotal. Nos modos de articulação as consoantes classificam-se em: oclusiva, nasal, fricativa, africada, tepe (ou tap), vibrante (simples e múltipla), retroflexa, aproximante e lateral.
Finalizando o capítulo III, as autoras trazem a Transcrição Fonética, que é, segundo elas, “a capacidade de representar (através de símbolos) os sons emitidos por um falante do Português Brasileiro quando produz sua fala” (p. 61) e afirmam que existem duas maneiras de se fazer transcrições fonéticas: a restrita e a ampla. Na primeira todos os detalhes fonéticos são levados em consideração, enquanto que na segunda os aspectos mais gerais dos segmentos é que são explicitados.


(Johnatas Silva, aluno do curso de Letras da Universidade do Estado do Amazonas)

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Diário de Leitura do Livro "Terra Sonâmbula" - Mia Couto

Registros da Leitura do Livro “Terra Sonâmbula” de Mia Couto
Durante toda a disciplina de Teoria e Prática da Leitura, foi-nos dada a missão de fazermos um diário de leitura. Esse diário consiste no registro de nossa trajetória de leitura da obra escolhida, no meu caso “Terra Sonâmbula”, de Mia Couto; bem como nossas impressões e até mesmo críticas. Sendo assim, deixarei aqui o que me aconteceu nesses dias de leitura.
Primeiro dia: 11 de outubro de 2016.
Neste meu primeiro dia de registros no meu diário de leitura, a sensação é de expectativa para saber quais serão minhas experiências no decorrer da jornada, e ansiedade para descobrir o que o texto irá me revelar. Acredito que será uma leitura prazerosa, visto que o autor da obra, Mia Couto, é um gigante da literatura contemporânea.
Já lendo as primeiras páginas do primeiro capítulo, percebo um vocabulário e uma estrutura sintática diferentes do que estou habituado. Previ que seria assim porque a obra é redigida originalmente em português africano (o autor faz uso frequente de termos típicos de lá). E por esse primeiro contato com o texto, já várias imagens foram acionadas em minha mente: os horrores das guerras e a destruições que elas proporcionam.
Segundo dia: 13 de outubro de 2016
Lendo a situação que o Kindzu enfrentava com sua mãe – o que está escrito no seu primeiro caderno e é lido pelo jovem Muidinga – e como era desprezado por ela, muitas coisas me vieram à mente. Não porque tive algum tipo de problema nesse aspecto com minha mãe, e sim porque isso me leva a pensar em outras pessoas que enfrentam situações semelhantes. Chega até ser surpreendente o fato de mães desprezarem seus filhos. Logo mães, que sempre demonstram um amor quase incondicional. Contudo na vida real, assim como representada através da arte, essas coisas acontecem.
Terceiro dia: 17 de outubro de 2016
Interessante o capítulo que leio agora! Depois de ficarem sem comida, Muidinga e seu tio vão para a mata atrás de alimento. O jovem receia que o velho possa levá-los a se perderem na mata, e ele teme não poder mais voltar para o ônibus, porque lá, em meio aos rastros e vestígios da morte, existe algo de valor: os cadernos de Kindzu, os quais ele lê todas as noites. (Noites em que ele faz uma viagem diferente). Na cabeça do jovem existe a possibilidade de que ele nunca mais poderá ter aqueles escritos. Isso me mostra o poder que a literatura tem de levar as pessoas a viajarem por outros mundos, fazendo-as, ainda que por algumas horas, esqueceram da realidade que as cerca, não importando quão terríveis sejam elas.
Lembrei-me de um livro que li em 2008 chamado “A Divina Revelação do Inferno”, de Mary Baxter. O livro era de caráter extremamente empírico, e confesso que hoje, depois de alguns anos, eu não concordo mais cem por cento com seu conteúdo, contudo, na época, eu me vi envolvido de tal forma por aquela leitura, que de fato esquecia de tudo e de todos quando a começava. O livro não era pequeno, tinha cerca de 300 páginas, e eu consegui lê-lo em três dias. Eu começa a ler e praticamente não conseguia parar. Me sentia quase vivendo, literalmente, as experiências relatadas nele. Foi até hoje minha leitura mais envolvente.
Quarto dia: 24 de outubro de 2016
A leitura de hoje é sobre o terceiro caderno de Kindzu e dentre as aventuras contadas está a de quando ele se encontra com um anão que veio do céu, o qual o guia, no meio da imensidão do mar, a um navio encalhado num banco de areia. Me chamou bastante atenção essa narrativa porque ele tinha acabado de sair do meio de uma gente faminta, que esperava exatamente o que ele estava vendo: um navio à deriva. Interessante que ele quase não acreditou no que estava acontecendo. Isso já me aconteceu (e acontece) algumas vezes. Quando o que parece impossível se torna possível, às vezes tenho um pouco de dificuldade de acreditar. Tenho certeza de que o Kindzu teve o mesmo sentimento.
Apesar de estar achando a leitura do livro bastante interessante, ela, até agora, não me cativou muito. Não sei. Talvez seja a linguagem usada ou o estilo do autor. Certo é que muitas partes me pareceram chatas. Foi a impressão que tive.
Quinto dia: 31 de outubro de 2016
Meditando nas aventuras vividas por Muidinga e seu velho tio, percebo que algumas vezes reclamo de coisas tão pequenas, tão superficiais. Todo o sofrimento descrito no livro, tanto dos personagens quanto do contexto geral da obra, me faz pensar um pouco mais na vida e dar mais valor a ela, principalmente por morar num lugar que não é o melhor lugar do mudo, mas que é abençoado por Deus. Disso não tenho dúvidas.
A aventura dos dois me mostra o quanto é importante valorizar as pessoas que estão do nosso lado: família, cônjuges, amigos, etc. Fico tão preocupado com tantas coisas, e às vezes acabo esquecendo das principais. Sinceramente, quando comecei a leitura não imaginava que ela me levaria a refletir nessas coisas, mas esse é o poder da arte: tocar no íntimo do nosso ser; nos levar a sensações quase que indescritíveis.

Logo, é preciso viver cada momento intensamente, da melhor maneira possível, pois a vida é como uma flor do campo, ou como dizia o grande pregador Billy Graham: “Esta vida é apenas uma ponte para a eternidade”. 

                                        (Johnatas Silva, aluno do Curso de Letras da Universidade do Estado do Amazonas)

CRÔNICA - As Gostosas Águas do Lago do Miriti

CRÔNICA
As Gostosas Águas do Lago do Miriti
Aqui na famosa Orla do Miriti, do ponto seu ponto mais alto – o mirante –, contemplo o balanço das turvas águas do lago do Miriti. Estão turvas porque é época de seca, mas quando a cheia vem, elas se tornam negras e brilhantes aos raios do sol. Toda essa visão me remete um período ímpar da minha vida: infância.
É como se estivesse acontecendo neste exato momento. Os passos acelerados de uma garotada que adorava pular n’água, o grito forte dizendo “quem pular por último é a manja”, as gargalhadas estridentes... Meu Deus, aquilo sim era alegria pura! Eu, particularmente, não via a hora de sair da escola, jogar um bom futebol no campinho atrás de casa e depois ir tirar o suor nas gostosas águas do Miriti.
Isso era durante a semana, porque aos domingos o “point” era aqui mesmo, na Orla. Sim, na Orla. Aqueles domingos ensolarados eram perfeitos para os manacapuruenses virem se refrescar no nosso tão querido lago. Famílias inteiras viam para cá. Faziam churrasco, jogavam futebol, vôlei etc. Sempre embalados por música ao vivo de bandas locais. E é claro muito banho, mesmo quando as cana-arana e os murerus tentavam atrapalhar. Aliás, era bem mais empolgante brincar de manja entre eles. Era mais emocionante ter que mergulhar entre os capins.
Hoje a realidade não é mais tão parecida como a de antes. A Orla e nosso querido lago estão, de alguma forma, abandonados. Muita vegetação, muito lixo, muita poluição e pouco cuidado com esses tão valiosos patrimônios da nossa cidade. Contudo, essas coisas não apagarão jamais a beleza e a importância que eles têm para o povo de Manacapuru.
O lago do Miriti sempre será aquele nos “purifica”, aquele que coloca água nas nossas torneiras, aquele que nos dá peixe; é verdade, peixe sim, eu mesmo peguei muitos quando adolescente, tenho testemunhas!
Ele será, tanto para as gerações passadas como para as vindouras, o lago das águas gostosas, das águas negras e refrescantes.
Johnatas Silva

Diário das Minhas Oficinas de Leitura #Letras (Teoria e Prática da Leitura)

Oficina 1: 27 de setembro de 2016
Curta-metragem: Os fantásticos livros voadores do Senhor Lessmore - debate e análise
Depois de assistirmos o curta, tivemos alguns minutos para debate e interação acerca do conteúdo do filme. O debate foi bastante proveitoso por conta das diferentes leituras e interpretações feitas pelos colegas acadêmicos.
Particularmente o curta me trouxe a ideia de que através da leitura nos reinventamos, nos transformamos. A leitura nos traz vida nova e uma nova forma de ler e encará-la.
Oficina 2: 28 de setembro de 2016
Movimento por um Brasil literário (leitura e curta-metragem: “A palavra conta”)
O debate sobre o tema proposto foi bom. Alguns colegas relataram experiências de leituras e de como esta foi e é importante para sua formação como pessoa. E isso está relacionado ao conteúdo o documentário que traz a importância da leitura na vida das pessoas.
Algo que me chamou bastante atenção no vídeo é que ele nos conscientiza de coisas que são indispensáveis para um sociedade que deseja um progresso, um desenvolvimento e um cidadão mais humanizado. O vídeo fala da leitura como impulsionadora de sonhos. Fala que mais bibliotecas precisam estar disponíveis ao povo. E por fim, mostra que não é só tarefa da escola formar leitores, ao contrário, é tarefa de todos. A cultura da falta de leitura dos brasileiros precisa ser mudada e isso só será possível com o empenho e esforço de todos.
Oficina 3: 03 de outubro de 2016
Leitura de artigos acadêmicos e debate
As atividades da oficina começaram com os grupos reunidos na sala, lendo seus respectivos artigos referentes à leitura. Textos acadêmicos que tratam dos processos de aquisição da leitura; das práticas da leitura na família e na escola; da leitura e sua promoção, dentre outros.
Após as leituras, foi aberto o debate entre os grupos acerca das temáticas abordadas nos artigos e as contribuições de cada acadêmico foi significativa. Falamos dos processos de aquisição da leitura e de como o contexto social e familiar, num período pré-escolar interfere e muito nesses processos. As habilidades de leitura dependem de vários fatores (internos e externos) e há um vasto campo interdisciplinar que mostra como eles funcionam.
Oficina 4: 04 de outubro 2016
Leitura de memes
A oficina começou com os grupos reunidos, analisando os memes. Depois partimos para o compartilhamento de ideias. Pra mim, ficou evidente a real necessidade de um conhecimento prévio no ato da leitura, principalmente o conhecimento enciclopédico que se refere aos conhecimentos gerais sobre o mundo e sobre as vivências pessoais.
Oficina 5: 07 de outubro 2016
Uma temática, diversos gêneros: comparando leituras
Foi trabalhada a temática loucura dentro de gêneros diversos: resenha, trailer de filme, vídeo clipe, biografia. Foi debatido a organização de cada gênero, suas finalidades, sua composição, linguagem e a compreensão de cada um.
Falamos das contribuições à psiquiatria de Nise da Silveira, com sua TO (Terapia Ocupacional); do artista plástico Arthur Bispo do Rosário, que era diagnosticado com esquizofrenia; e da poeta Stela do Patrocínio.
Oficina 6: 18 de outubro de 2016
Práticas de leitura através do gênero literário fábula
A oficina foi aplicada por sete grupos de acadêmicos do Curso de Letras Mediado no CETI – Centro de Educação de Tempo Integral Washington Luís Régis da Silva, nas turmas do 6º ao 8º ano do Ensino Fundamental.
A preparação deu-se a partir das orientações vindas das professoras MSc. Elaine Andreatta e MSc. Fátima Souza, do estúdio em Manaus, e também da nossa professora assistente Dra. Auricléa Oliveira das Neves. A partir dessas orientações, fizemos reuniões no contra turno na casa de um dos acadêmicos membro do grupo.
Decidimos trabalhar a leitura e suas diversas modalidades, usando o gênero literário fábula. O texto que escolhemos foi o A Força dos Jacarés ou A Onça Não é “Bicho”, do nosso colega acadêmico Raimundo Nogueira. O texto satisfazia todas as características necessárias em uma fábula, o que nos possibilitou trabalharmos bem a oficina, desenvolvendo cada atividade com precisão.
O objetivo da oficina era, primeiramente, apresentar aos alunos o gênero fabula, bem como suas características e estrutura, e a leitura em diversas modalidades (individual, pelo professor, coletiva). E também a análise e discussão sobre a temática abordada no texto.
Começamos a oficina às 13h, fazendo com os alunos algumas atividades recreativas (dinâmicas), por conta de um pequeno imprevisto que tivemos com nosso material. Depois disso, já com tudo normalizado, demos início, de fato, as atividades contidas no plano da oficina.
O acadêmico Jackson deu início, saudando os alunos e apresentando cada membro do grupo, esclarecendo o porquê de estarmos com eles naquela tarde e pontuando quais eram nossos objetivos. Em seguida a acadêmica Luanda iniciou uma conversa com a turma, levantando alguns conhecimentos prévios acerca do gênero fábula, e mostrou o um vídeo de dois minutos que falava a respeito do gênero, tudo isso já para sensibilizar os alunos e prepará-los para a leitura que viria mais adiante.
Depois do vídeo, o acadêmico Johnatas, com base no levantamento prévio feito pela acadêmica Lauanda e no conteúdo do vídeo, explanou de forma mais detalhada o gênero fábula (forma composicional, características, estrutura, marcas linguísticas, objetivo).
Após as etapas descritas acima, o acadêmico Raimundo Nogueira começou a atividade de leitura. Distribuímos para cada aluno uma cópia do texto da fábula trabalhada. Eles fizeram primeiro uma leitura individual e silenciosa – tiveram cerca de sete minutos para isso. Em seguida, o acadêmico Raimundo Nogueira leu em voz alta e aproveitou, então, para iniciar uma conversa com eles e pontuar algumas características do texto, tais como vocabulário, personagens, ambientação etc.
A partir daí iniciou-se um processo de discussão sobre o texto. Solicitamos que eles opinassem sobre o tema tratado na fábula; suas impressões sobre o texto; qual a relação do texto com a realidade, entre outros. O resultado foi excelente. Quase toda a turma participou, opinou, dizendo o que pensavam do texto, e quais as reflexões que fizeram a partir da leitura. Muitos fizeram uma relação interessante entre os personagens (animais) da fábula com pessoas, principalmente com políticos da atualidade, tanto do cenário regional como nacional.
Ainda no clima de debate, pedimos para que cada um escrevesse as virtudes e defeitos que eles observaram nos personagens da fábula. Preparamos uma caixinha e cada aluno pôs seus pequenos textos nela. Feito isso, tiramos, de forma aleatória, de dentro da caixa alguns desses mini textos e comentamos sobre eles. Mais uma vez, o resultado foi fantástico. Eles descreveram bem as impressões que tiveram dos personagens e mais uma vez tivemos uma discussão bastante produtiva.
Continuamos as atividades formando dois grupos de sete alunos para que fizessem um pequeno teatro, dramatizando a fábula. As acadêmicas Amábyle e Lauanda ficaram responsáveis por conduzirem as apresentações. Para isso, preparamos máscaras dos animais personagens da fabula para os alunos usarem na hora da dramatização. Foi um momento bastante divertido e, claro, pedagógico também.
Já encerrando, formamos oito pequenos grupos e distribuímos uma atividade avaliativa, solicitada pela nossa professora Dra. Auricléa Oliveira das Neves. O objetivo era saber o que eles acharam da oficina em termos gerais – as atividades feitas, o tempo, a aprendizagem e a preparação dos oficineiros. Encerremos a oficina às 16h.
Palavra final sobre as oficinas
Aqui encerro meu diário, grato primeiramente a Deus pela oportunidade, e à todas as pessoas envolvidas nesse processo: professores (as), colegas acadêmicos, etc. Todas as atividades feitas, seja dentro do campus ou fora dele, me fizeram acreditar que é possível ter uma prática educacional de maior qualidade e que sabendo usar as ferramentas certas, podemos ajudar a formar cidadãos melhores para o futuro.

                                        (Johnatas Silva, aluno do Curso de Letras da Universidade do Estado do Amazonas)

Minhas Memórias de Leitura

Não são muitas as minhas recordações de leitura quando criança. Isso porque até meus sete anos de idade fui criado em localidades onde não havia escolas. No entanto, mesmo sem ter acesso ao mundo das estórias escritas no papel, eu fui apresentado, desde bem pequeno, às estórias que minha avó-mãe contava de forma oral. Ah, aquelas estórias eram tão boas de se ouvir! Lembro-me de que sempre antes de dormir, meus primos e eu, pedíamos pra ela nos contar uma de suas belas estórias. A nossa favorita e quase sempre escolhida era “A Moça da Terra Vermelha”.
Lembro-me das vezes que ia visitar os parentes no interior e sempre ouvia boas estórias dos meus avós, tios, primos etc. Muitos “causos” eram contados – às vezes me davam medo. Os assuntos eram os mais variados, mas se falava principalmente dos acontecimentos da vida no meio do interior, do meio da mata. Coisas bem regionais.
O tempo passou, eu cresci, e essas estórias ficaram só nas lembranças. Quando entrei na escola, com nove anos, tive aversão à leitura. Meu Deus! Todas as vezes que o professor me chamava à frente para ler, era uma tortura. Eu era péssimo. Lia por obrigação – e muito mal por sinal.
Mas esse não foi meu fim. Quando estava no ensino médio, em 2007, aconteceu algo na minha vida que mudaria radicalmente minha relação com os livros: me tornei cristão. E como um “bom” novo cristão, comecei ler a Bíblia. Dia após dia, viajando pelas parábolas de Jesus e pelas empolgantes narrativas de Paulo, eu me apaixonava mais pela leitura.
Parábolas como a do “Jovem Rico”, a qual me ensinou que na vida do cristão as coisas celestiais são mais importantes que as terrenas, e que deve-se lidar de maneira sábia com aquisição de bens materiais. E nas aventura de Paulo, percebendo todo seu percurso de vida, após sua conversão, aprendi que as adversidades e turbulências são parte da trajetória cristão, por isso não devemos desanimar frente à elas.
Meus novos amigos cristão passaram então a me recomendar a leitura de outras literaturas, mas todas com conteúdo referentes a minha nova fé. Isso me ajudou ainda mais e me tornei assíduo leitor de famosos escritores do segmento. Nesse período, o livro que me marcou profundamente foi “Bom Dia Espírito Santo!” de Benny Hinn. Foi uma leitura envolvente (li o livro três vezes) que tratava da própria experiência de Hinn, o que me impulsionou a viver aquilo que ele experimentara: um contato real e pessoal com Espírito Santo. Como também não mencionar “Uma Vida com Propósitos” de Rick Warren. Sem dúvida um dos melhores que já li até hoje. Com ele aprendi a valorizar as coisas que realmente importam para Deus; e aquilo que Ele planejou para minha vida. Li o livro em quarenta dias, pois o desafio era ler um capítulo por dia. Foi uma experiência única.
Nessa época também que conheci os blogs de internet. Eu passava horas na frente do computador lendo articulistas de renome e me deleitando em temas interessantes da Bíblia Sagrada. Os meus favoritos eram o Blog do Ciro e o do Júlio Severo. Os dois traziam (e trazem até hoje) temas polêmicos, tanto do meio cristão quanto fora dele. Comecei daí a ter uma postura um pouco mais crítica acerca de muitas coisas. Aqueles períodos de leitura foram de grande valia pra mim. Também lia – e ainda leio – blogs de outras temáticas: esportes, política, cultura, saúde, tecnologia etc.
De fato, é sempre edificante trazer esses fatos à memória, pois sempre me dão inspiração para continuar lendo o mundo ao meu redor, fazendo-me acreditar piamente que a leitura realmente tem o poder de transformar vidas.

(Johnatas Silva, aluno do Curso de Letras da Universidade do Estado do Amazonas)

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

ANÁLISE LITERÁRIA DO POEMA FAZ ESCURO MAS EU CANTO DE THIAGO DE MELLO


Amábyle Karoline
Irenilde Assis
Johnatas Silva
Lia Mara Veloso
Nayara Chargas
Raimundo Nogueira


INTRODUÇÃO

 O poema Faz Escuro Mais Eu Canto, de autoria do poeta amazonense Thiago de Mello, é um texto de gênero lírico que expressa sentimentos e emoções, permeados pela função poética do autor, enfatizando as dores, lutas e alegrias da sociedade em seus versos. O poema é parte do livro que leva seu nome, publicado em 1966, durante o período de ditadura militar, no qual Thiago de Mello esteve exilado e escreveu esta e muitas outras obras literárias.
Amadeu Thiago de Mello nasceu em 30 de Março de 1926, no município de Barreirinha no Estado do Amazonas. É um dos maiores e mais influentes poetas do país, reconhecido como ícone da literatura regional. Foi conhecido em 1975 internacionalmente, ainda no regime militar, como um intelectual engajado na luta pelos Direitos Humanos, com a publicação de algumas obras. A Obra Literária “Faz Escuro Mas Eu Canto” vincula-se na terceira geração do Modernismo e é marcada pelo engajamento político e pela preocupação social.
O país enfrentava nas décadas de 60 à 80, sucessivos governos militares, os quais puseram em prática vários atos constitucionais que suprimiram a liberdade de civis e que culminaram no encarceramento, tortura de civis e exilio de vários escritores, censurados por suas obras em todos os meios de comunicação do país.       

1 OBJETIVOS
1.1 OBJETIVO GERAL
Conhecer o gênero lírico e seus elementos a partir do poema Faz Escuro Mas Eu Canto de Thiago de Mello.
1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
·   Analisar o poema sob a perspectiva dos elementos teóricos que caracterizam o gênero lírico;
·   Apresentar o plano de expressão e estrutura do poema;
·   Identificar a temática abordada na obra.
2 ANÁLISE LITERÁRIA
2.1 Estrutura do poema
O texto de Thiago de Mello, um poema, pertence ao gênero lírico, que expressa, ordinariamente, sentimentos e emoções e se utiliza da função poética da linguagem. Quanto ao conteúdo, o poema em estudo aproxima-se de uma elegia, pois fala de um tempo tenebroso, de ausência de claridade, mas também de obstinação, inconformismo em face do momento vivido pelo eu lírico.
O poema possui uma única estrofe composta de quatorze versos heterométricos. O menor verso (“Já é madrugada”) tem cinco sílabas poéticas e o mais longo (“que é para esquecer o que eu sofria”), doze sílabas. A maioria dos versos, contudo, possui sete sílabas, fenômeno que dá ao poema certa regularidade rítmica.
Os versos não obedecem a um esquema de rimas, mas existem campos sonoros espalhados por todo o corpo do poema (mudar/esperar, alegria/sofria, coração/multidão, alegria/dia). A musicalidade é produzida, também, por sequencias de assonâncias e aliterações (“Vem ver comigo, companheiro” / “porque a manha vai chegar”) (ANEXO I).
No texto, há predominância do verbo na forma nominal do infinitivo: chegar, ver, mudar, dormir, esperar, esquecer, trabalhar. O presente ocorre com menor frequência: canto, quero, sofre, vamos, é. O pretérito imperfeito ocorre apenas uma vez; sofria (ANEXO I).
A forma nominal nomeia uma ação ou estado, mas que é neutra, quanto às suas categorias gramaticais tradicionais, ou seja, tempo, modo, aspecto, número, pessoa, como se vê, o poeta construiu seu poema evitando o uso de modelos fixos, no que diz respeito a estrofes, rítmicos, isto é deliberadamente evitou a fôrma.

2.2 Conteúdo do poema
O poema faz escuro mais eu canto tem como tema a exaltação do homem e sua luta pela liberdade e esperança, está carregado de críticas político social: o autor denuncia o caos político, faz alusão a várias temáticas relacionadas, a questão política do homem, também demonstra ser uma obra marcada por questões existenciais e de extremo engajamento social. Dando ênfase aos oprimidos e a luta por uma sociedade solidária. Ênio Silvera ressalta que:

A candente autenticidade de seus versos decorre, além do mais, da firme coerência que existe entre a obra e o modo de ser do poeta. Não se fechando em gabinetes, ele se põe por inteiro nessa luta em busca da justiça e da dignidade, e tem pago duro preço por isso, inclusive detenções arbitrárias e o amargor do exílio." (ÊNIO SILVEIRA)

Como boa parte da geração modernista de 45, a poesia de Thiago de Mello traz consigo a beleza amarga vivida pela ditadura, demonstrando uma enorme inquietação com a condição humana e a solidão que sofrera no exílio.
Relativo ao estilo de época a poesia de Thiago de Mello faz parte do Modernismo contemporâneo.
Sua poesia é dedicada ao canto de problemas sociais, humanos e especialmente contra o autoritarismo de 1964. A poesia de combate do poeta amazonense em Faz escuro, mas eu canto denuncia problemas vivido pelo autor.
Quanto ao plano de conteúdo é carregado de subjetivismo e intensa densidade existencial o que expressa dor e o sofrimento do ser humano diante de um mundo em ruinas. O poeta usa os seus versos como arma e ao mesmo tempo como um convite ao povo para juntar-se a ele nessa luta por liberdade (ANEXO I).
Em referência ao plano formal a poesia de Thiago de Mello já nasceu sob o signo da liberdade – essa liberdade contínua é exaltada. Faz uso de linguagem em construções simples. No poema faz escuro mas eu canto, o poeta não ostenta palavras difíceis em sua construção para que não dificultem a compreensão do leitor.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho fez uma abordagem sobre o gênero lírico que expressa sentimentos e emoções, utilizando-se da função poética, dando ênfase ao poema “Faz Escuro Mas Eu Canto” de Thiago de Mello, que traz no seu contexto uma bagagem literária não só de combinações de palavras e rimas, mas também a emoção do período da ditadura e mostra a luta pela liberdade de expressão, esse engajamento em despertar nos leitores os sentimentos e emoções vividos na época, expressa através do estado de alma do eu-lírico no poema.
Uma busca nas fontes especializadas, revela que existem poucos estudos e análises teóricas sobre autores e obras da nossa região, sendo certo que não se encontra na literatura especializada quaisquer estudos disponíveis ou acessíveis ao leitor comum sobre o poema “Faz escuro, mas eu canto”, de Thiago de Melo, o que justifica o presente trabalho.
Portanto a análise de um texto literário vai muito além de elementos constitutivos, envolve uma série de aspectos que nos instigam numa busca incessante de conhecimento, nos faz viajar além do tempo, provocando a reflexão não só do texto, mas de todo processo histórico, social e cultural de determinado período literário, nos dando além de aprendizagem, o prazer de degustar o universo literário e seus maravilhosos eu-líricos existentes nele.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

NASCIMENTO, Dilce Pio; SICSÚ, Delma Pacheco; LOURO, Francisca de Lourdes Souza. Teoria da Literatura II. Manaus: UEA Edições, 2016.
SAMUEL, Rogel. Novo Manual de Teoria Literária. 2ª Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.

http. www.jornaldapoesia.jor.br/htmn

sábado, 1 de outubro de 2016

15 ou 90?

1. Em 2014, boa parte da IEADAM (em todo Amazonas) era 90 de corpo e alma. O 15, naquele ano, era um número “horrível”.

2. Na ocasião, o atual prefeito apoiou o 15 (candidato de seu partido), contrariando as lideranças da igreja e o “Projeto”.

3. Neste ano, boa parte da IEADAM (em Manacapuru) é 15 de corpo e alma e o 90 é que é um número “horrível’.

4. Em seu último comício (29), o atual prefeito disse que “se Deus quiser” Eduardo Braga, 15, assume o governo no próximo pleito e as coisas vão melhorar em Manacapuru.

5. Mas, e se Melo, 90, tentar a reeleição? Como a IEADAM se posicionará? Será 15 ou 90? A dúvida está no ar.

Bom exercício de cidadania a todos. Vote consciente. Deus abençoe você!

(Texto de Johnatas Silva)

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS: TENDÊNCIA LIBERAL RENOVADA

TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS: TENDÊNCIA LIBERAL RENOVADA

Amábyle Magalhães
Irenilde Assis
Johnatas Silva
Lauanda Menezes
Raimundo Nogueira

RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo mostrar alguns pontos e aspectos fundamentais da Tendência Liberal Renovada (Escola Nova).  A proposta é conceituar, contextualizar histórica, social e politicamente a aludida tendência pedagógica, bem como apresentar seu contexto no âmbito escolar, discorrendo de forma sintética sobre seus métodos de ensino-aprendizagem, apresentando também seus aspectos positivos e negativos.

Palavras-chave: Pedagogia. Tendência. Renovada


1 CONCEITUAÇÃO
A tendência Liberal Renovada (Escola Nova) tem como objetivo principal preparar o aluno para exercer seu devido papel na sociedade, partindo das necessidades e interesses individuais dele, necessárias à adaptação ao meio social. Dessa forma ele deve imitar a vida, pois é parte da própria experiência humana. A tendência Liberal Renovada (Escola Nova), propõe um ensino que valorize a autoeducação (o aluno como sujeito do conhecimento), defende a ideia de “aprender fazendo”, portanto centrada no aluno, valorizando as tentativas experimentais, a pesquisa, a descoberta, o estudo ao meio natural e social, levando em conta os interesses do aluno.
Dentro da tendência Liberal Renovada (Escola Nova), Luckesi também apresenta a Liberal Renovada não-diretiva. Nesta tendência prioriza-se o desenvolvimento das relações e comunicação favorecendo assim ao aluno um clima de realização pessoal. Não existe metodologia definida e sim o empenho do professor, utilizando técnicas de sensibilização que favoreçam o autoconhecimento pessoal na formação de atitudes. A avaliação torna-se desnecessária. E por fim é uma educação centralizada no aluno (no aspecto psicológico dele) que aprende assim a modificar as percepções da realidade.

2 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA, SOCIAL E POLÍTICA
A Tendência Liberal Renovada, segundo Libâneo (1994), surge na Europa em meados de 1920, como contraposição à tendência Tradicional. Entre as várias correntes, destaca-se a linha progressivista, baseada na teoria de John Dewey, e a não-diretiva, fundada nas ideias de Carl Rogers. Essa tendência, que ainda hoje influencia muitas práticas pedagógicas, surge no Brasil na década de trinta, tendo como principal representante Anísio Teixeira. Com a instalação do chamado Estado Novo, sob o comando de Getúlio Vargas, o Brasil experimenta várias mudanças importantes, como a adoção do voto feminino, a modernização das relações de trabalho, a substituição progressiva das importações pela indústria nacional, etc. Os sindicatos dos trabalhadores urbanos e as ligas camponesas pressionam o governo, que faz concessões em forma de reconhecimento de direitos, tornando-se atores importantes da vida política nacional. Setores militares e partidos de esquerda se destacam politicamente e passam a exercer grande influência nos movimentos sociais e nas disputas de poder. Tal contexto histórico, social e político exige o rompimento das concepções tradicionais pedagógicas que embaraçam as novas forças políticas, econômicas e sociais protagonistas desse novo momento histórico que substitui a chamada República Velha. Assim, a tendência Liberal Renovadora, em qualquer de suas versões, propõe-se a criar um novo ambiente, com mentalidade modernizante e ampliação do espaço de participação social. O papel da escola, nesta tendência, não se reduz a atender os interesses das elites oligárquicas, mas se presta a ordenar as necessidades individuais ao meio social.
3 CONTEXTO ESCOLAR E DE ENSINO-APRENDIZAGEM
A tendência Liberal Renovada (Escola Nova), no contexto educacional de ensino-aprendizagem, caracteriza-se pela priorização da democracia na construção de uma sociedade, considerando as diferenças e individualidades de cada aluno. Dessa forma, constituem-se métodos de ensino, com base nas atividades que estimulem a reflexão, as experiências vividas. A escola tem um papel significativo na maneira de encaminhar as experiências, a fim de determinar sua utilidade para a vida de cada indivíduo. Nessa concepção, o professor tem como função assessorar o crescimento desprendido e natural do aluno, sem intervir no seu modo de evolução, apenas organizando e sistematizando o raciocínio do mesmo. Assim, aprender torna-se uma prática de exploração e autoconhecimento, sendo o ambiente somente o meio encorajador e o professor apenas um orientador.
4 ASPECTOS POSITIVOS E NEGATIVO
Dentre os aspectos positivos dessa tendência, destaca-se a função do aluno como sujeito ativo no processo de aprendizagem, tendo o professor o papel de orientador no processo de construção do saber; o saber surge a partir das necessidades individuais do aluno, que ao ser estimulado busca por si próprio o conhecimento através de experiências; e o fato de que nessa perspectiva pedagógica o mais importante não é o saber propriamente dito, e sim a forma de aquisição do mesmo. Por outro lado, é observável, também, um aspecto negativo: os críticos da tendência pedagógica Liberal Renovada (Escola Nova) alegam que o movimento abri mão de conteúdos essências e que não exige nada do aluno, estando sujeito apenas a seus interesses e espontaneidade.
5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Luckesi, Cipriano Carlos. Filosofia da Educação. São Paulo: Cortez, 1994. – (Coleção magistério 2º grau. Série formação do professor)
Escolas Pedagógicas. Disponível em: http://teoriaecriticaliteraria.blogspot.com.br/2010/02/escolas-pedagogicas.html



Breve Análise do Conto MAIBI de Alberto Rangel

Leia o conto “Maibi” do livro Inferno Verde, de Alberto Rangel. Analise o texto e suas alegorias bem como seu contexto histórico observando os referentes aspectos do Realismo e Naturalismo.
O conto Maibi, de Alberto Rangel, integra o livro Inferno Verde, escrito pelo referido autor em 1908.  O conto faz alusão as atividades sócio-econômicas vigentes na região amazônica no século XX, a saber: o ciclo da borracha. Ciclo que este que teve seu apogeu entre 1890 e 1920, levando cidades como Manaus e Belém a gozarem de tecnologias que algumas cidades do sul e sudeste não possuíam (luz elétrica, bondes, água encanada, esgoto etc.). Toda essa "glória" teve também seu lado "negro": a exploração ambiciosa e desenfreada da Amazônia e o trabalho escravo vivenciado pelos trabalhadores nos seringais.
O texto é rico em figuras de linguagem, a começar pelo título "Maibi", que é uma metáfora para representar a Amazônia. O autor faz uso de recursos linguísticos que embelezam o texto: "A mata pintava-se de um mesmo verde-veroneso; o céu embebia-se de aguada azul da Prússia; as horas escorriam na lentura de um óleo denso, dessangrando por fino sangradouro; o sol rojava-se diariamente pelos seus paços imperiais, num servilismo de escravo". Ele faz uso também de denominações da época peculiares dos seringais, como: "brabos, mateiros, colocação no centro, fregueses do toco, frasco etc.". O conto se encerra com o martírio de Maibi e retoma a alegoria que alude a grande Amazônia. O autor compara a morte da cabocla a um holocausto, o qual representa tantos que padeceram no meio da floresta, dando seu próprio sangue por um sonho inalcançável. Maibi verteu seu sangue até a ultima gota, assim como "sagraram" a Amazônia até as últimas instâncias, motivados por um capital selvagem e desumano. "O martírio de Maibi, com a sua vida a escoar-se nas tigelinhas do seringueiro, seria ainda assim bem menor que o do Amazonas, oferecendo-se em pasto de uma indústria que o esgota".
Os aspectos do Realismo no conto são observados através do perfil dos personagens. A cobiça, a corrupção, a inveja e a exploração do outro, pois o autor tem uma visão objetiva da vida, pondo-se como observador distante, crítico e analítico. Aspectos do Naturalismo também estão presentes. No conto, o homem é apresentado como escravo do seu meio social, que luta pela sobrevivência. Referências a aspectos fisiológicos são características do Naturalismo, bem como às questões sexuais: "As carícias ardentes da moça iriam agora aplicar-se em outro... Nos braços de outro ela se arrebataria em juras e suspiros...".

(Johnatas Silva, aluno do 2° período de Letras da UEA)

domingo, 11 de setembro de 2016

Vagas Lembranças

Tudo meio inerte ultimamente. As euforias do perigo e do desejo pelo proibido já passaram. Só restam vagas e superficiais lembranças de um sonho que foi interrompido pelo soar de um despertador. Que seja assim: sem mais noites em claro; sem mais brilho no olhar; sem mais expectativas frustradas a cada minuto. Sinto uma mistura de momentos. Nada de hoje, é claro. Faz tempo que isso reside dentro de mim. 

Johnatas Silva 

Em: 09.09.2016

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Textos de uma Prova que Fiz no Decorrer do Curso

1. A partir das três características da Ideologia, problematize-a relacionando com o Conhecimento, Escola e Filosofia.

A ideologia, como é assimilada pela sociedade contemporânea, sendo apenas a manutenção do status de poder de uma determinada classe social, está indiscutivelmente entrelaçada à produção de conhecimento, ao papel e finalidade da escola e a análise filosófica dessas questões. Isso se dá porque o pensamento ideológico irá, direta ou indiretamente, afetar ou até mesmo intervir na forma como essas questões são concebidas, já que, olhando por essa perspectiva, ela manipula as massas, fazendo-as acreditar numa falsa realidade. A escola, dentro dessa visão, nada mais é do que um aparelho reprodutor dos ideais “elitistas”, ajustando os indivíduos à determinada condição social. Dessa forma, até a crítica e o pensamento reflexivo (filosófico) do que há por trás das ideologias presentes na sociedade moderna é, de alguma maneira, comprometida, uma vez que uma crítica a qualquer conceito ideológico, surge, na maioria das vezes, de uma ideologia oposta àquela que está em evidência.

2. Estabeleça uma discussão sobre Educação Popular, Escola e Filosofia.

A Educação Popular era vista, e ainda é, por muitos teóricos e estudiosos, como uma forma de alienação e manipulação das camadas menos favorecidas da sociedade. Para eles ela não contemplava o real propósito de uma educação destinada para povo, que é o de servir como forma de inclusão social e libertação, formando cidadãos críticos e cientes da realidade que os cerca. Sendo assim, é preciso reavaliar o funcionamento e os procedimentos da escola na chamada Educação Popular. E para isso é indispensável o pensamento crítico e reflexivo desse processo. É inteiramente benéfico para sociedade como um todo que a escola, de fato, intervenha nos processos sociais de forma positiva, e prepare pessoas melhores para o convívio coletivo.

3. Contextualize as matrizes educacionais relacionando-as com as tendências pedagógicas.

As matrizes da educação brasileira ainda estão bem presentes no contexto social atual. É só atentarmos um pouco mais para nossos processos educacionais para vermos que ainda há a presença de uma fração, na forma de se trabalhar a educação, dos religiosos (os jesuítas), dos militares (existem escolas denominadas militares hoje e alguns processos, mesmo dentro do ensino público, são herdados dela), dos grupos escolares, criados no governo de Getúlio Vargas, também conhecidos como escola funil (um tipo de escola seletista) dentre outros modelos. Tudo isso estritamente relacionado as tendências pedagógicas, que estão vivas também entre nós. Algumas não mais com a força de tempos atrás, por terem sido ofuscadas por outras tendências, mas ainda atuantes na educação que está disponível hoje. E convenhamos, isso é necessário.

Acredito que hoje vivenciamos uma mescla dessas tendências. Por exemplo, o uso da autoridade do professor em certos casos, faz alusão às tendências mais conservadoras. A questão da qualificação de mão de obra para o mercado de trabalho, faz alusão a tendência tecnicista. O debate livre e o pensamento crítico sobre temas relevantes para nossa sociedade, faz clara alusão as tendências progressitas, baseadas na pedagogia de Paulo Freire. E a análise crítica do material didático que nos é oferecido hoje, faz alusão a tendência progressista crítico-social dos conteúdos. É exatamente nesse contexto que estamos inseridos.

4. Problematize a Educação como Redenção, Reprodução e Transformação da Sociedade.

As concepções filosóficas sobre a educação como Redenção, Reprodução e Transformação da sociedade suscitam controvérsias e debates entre os que se dedicam a área do ensino. Isso porque cada uma defende o conceito de educação bastante diferente um do outro. Vejamos: Mesmo sendo de cunho religioso, a educação como Redenção da sociedade falha ao afirmar que o caos social desaparecerá através de uma educação que traga o indivíduo a um estado de “pureza” moral, e é notório que isso é praticamente impossível. A educação como Reprodução é a mais criticada exatamente por ter o viés de manutenção da supremacia das “elites dominantes”. Nessa concepção, de nada adianta o esforço do professor em tentar fazer algo que mude a vida dos seus alunos, pois consciente ou não, ele está apenas legitimando a ideologia dominante vigente.  E por fim temos a educação como Transformação da sociedade, que visa, através de uma prática escolar crítica, produzir uma mudança significativa nas pessoas, para que consequentemente haja uma mudança mais abrangente.


(Johnatas Silva, aluno do 2° perído do Curso de Letras Língua Portuguesa da UEA)

Herança Portuguesa (Arquitetura)

O vídeo abaixo é fruto de um trabalho de um grupo de universitários da Universidade do Estado do Amazonas, o qual trata de algumas edificaç...