quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Viagens & Memórias Literárias

VIAGENS LITERÁRIAS

Johnatas Silva
Apresentação
Aqui estão alguns registros feitos no decorrer das aulas de Literatura Infantojuvenil. A propósito é deixar registrado minhas impressões e aprendizado adquiridos nos dias em que estivemos trabalhando a supracitada literatura. Foram bons momentos, marcantes até eu diria, com diálogos francos e bastante significativos acerca dos temas propostos nas obras trabalhadas. Certamente levarei comigo todo o conhecimento construído nesse período.
Aula 1: 25 de outubro de 2017
As primeiras aulas do componente curricular Literatura Infantojuvenil já se mostraram bem atrativas. E não poderia ser diferente, uma vez que os professores são Valdemir e Evany, uma dupla sensacional em todos os aspectos, mas principalmente no que se refere à criatividade. Tivemos interação entre os municípios desde os primeiros contatos com os professores. Sempre bem caracterizados, os professores inserem-se nos temas propostos de cada aula, o que particularmente atrai mais minha atenção aos conteúdos trabalhados, facilitando a assimilação dos objetivos propostas para cada aula.
Os professores, junto com alguns alunos, destacaram o lançamento da primeira e segunda edição do livro Memórias Literárias, que consiste numa coleção relatos vividos por alunos em suas experiências de leitura. A primeira edição nos foi disponibilizada em PDF e já dei uma olhada na obra, inclusive já li um relato, e achei muito interessante. Tivemos uma experiência semelhante no componente curricular Teoria e Prática da Leitura, na qual tivemos que relatar nossas memórias de leitura, a partir do resgate do passado e de nosso contato com os textos.
Aula 2: 26 de outubro de 2017
Como eu previa, os primeiros conteúdos apresentados foram as definições e conceitos do que é, de fato, Literatura Infantojuvenil. Góes (2010) foi bastante citada (o que se pode conferir também a partir do livro-texto) nessas primeiras aulas. De acordo com a autora, a literatura infantojuvenil está definida nas questões editorias, mas não tanto assim no campo do estudo da literatura em si. Ela “conclui é que um livro pode ser lido tanto pela criança quanto pelo adulto, então literatura infantil é linguagem carregada de significados até o máximo grau possível e dirigida ou não às crianças, mas que responda às exigências que lhes são próprias” (2010, p. 27).
Ainda nessas primeiras aulas foram explanadas as categorias de leitor: pré-leitor, leitor iniciante, leitor em processor, leitor fluente. Depois um aprofundamento nas definições de literatura infantil, literatura infantojuvenil, literatura juvenil e suas variações. Junto com as definições foram mostrados e trabalhados os contextos históricos e socioculturais em que as obras que são categorizadas como literatura infantojuvenil nasceram.
Aula 3: 27 de outubro de 2017
Nesse dia eles estavam vestidos de personagens. Em um dos momentos, os professores ministraram a aula inteira caracterizados como personagens de muitas obras – a maior parte clássica – da literatura estudada. Alguns alunos também fizeram parte da aula vestidos de diferentes personagens. O cenário foi uma espécie de “rave” e vez ou outro uma música eletrônica era tocada e todos, vestidos de personagens, começavam a dançar. Obras clássicas foram trabalhadas.
Aula 4: 30 de novembro de 2017
A aula nesse dia foi bem interessante. O cenário era a cabine de um avião e um saguão de aeroporto. Cada momento aula eles “pousavam” em um lugar diferente, correspondente ao autor e obra trabalhados. Alguns destinos foram França, Dinamarca e Alemanha. Autores clássicos: La Fontaine, Charles Perrualt, Jacob e Wilhem Grimm e Hans Christian Andersen, sendo este último bastante comentado por ser autor de clássicos mundiais.
Aula 5: 31 de outubro
Rádio VAT: Ondas literárias. Aula foi em formato de programa de rádio. Contos de fadas, fábulas etc. Definindo, conceituando e exemplificando principalmente com obras clássicas, dentre elas A Bela Adormecida; Branca de Neve e os Sete Anões; Chapeuzinho Vermelho; A Gata Borralheira; O Ganso de Ouro; Os Sete Corvos; Os Músicos de Bremen; A Guardadora de Gansos; Joãozinho e Maria; O Pequeno Polegar; As Três Fiandeiras; O Príncipe Sapo.
Aula 6: 6 de novembro de 2017
Hoje os professores estão vestidos de chefs de cozinha. O cenário é o de uma cozinha e o tema central da aula é Delícias Literárias. Gostei do vídeo da banda Carrapicho. O que está sendo trabalhado nessa aula é a literatura infantojuvenil regional. Uma ênfase recai sobre a Editora Valer por sua enorme contribuição para a produção literária amazonense. Algumas obras citadas e discutidas na aula foram: Ararinha-azul, o sumiço, de Aldísio Figueiras; A lenda da Vitória-Régia, de Cristina Marinho; O som das letras, de Elson Farias; Os passarinhos e outros bichos, de Tenório Telles;
Cada obra citada foi mostrada em forma de receita culinária. Muito criativo. Os professores comentaram cada uma delas na apresentação da receita e mostraram também vídeos que auxiliaram no entendimento dessas obras. Vídeos esses voltados para questões regionais, principalmente no que se refere à linguagem. Acredito que um dos propósitos principais dessa aula foi a valorização das obras da nossa terra, além de claro mostra a importância delas para nossa cultura.
Aula 7: 7 de novembro de 2017
Hoje aula está voltada para a literatura indígena. Os professores estão vestidos com roupas que fazem alusão à cultura indígena e o cenário é uma espécie de oca, contendo vários utensílios específicos dessa cultura. Alguns escritores indígenas trabalhados hoje: Daniel Munduruku, Yaguarê Yamã, Tiago Hakiy, Olívio Jekupé etc. Eles estão lendo trechos de obras dos respectivos autores e comentaram sobre elas. 
Teve uma convidada especial, Mara Pacheco, que desenvolve pesquisas na área da cultura indígena e que também auxilia muitos deles que vêm para a capital estudar. Ela fez uma performance de dança indígena muito boa na parte final da aula. Nosso grupo (Verde) irá trabalhar na feira-literária com um dos autores aqui citados: Yaguarê Yamã. Vamos contar algumas de suas estórias de infância, vividas em sua aldeia aqui no Amazonas.
Aula 8: 8 de novembro de 2017
Mais uma vez a aula foi “por meio” da Rádio VAT, programa Ondas Literárias. O que sendo trabalhado hoje é a literatura infantojuvenil contemporânea. Já foi mencionado que para entender melhor o contexto atual da literatura produzida em nossos dias é necessário ter noção das linguagens multimodais e do multiletramente, principalmente por conta do avanço tecnológico em que vivemos.
Dentre as características dessas obras contemporâneas estão: mistura de tendências estéticas (ecletismo); união da arte erudita e da arte popular; prosa histórica, social e urbana; poesia intimista, visual e marginal; temas cotidianos e regionalistas; engajamento social e literatura marginal; experimentalismo formal; técnicas inovadoras (recursos gráficos, montagens, colagens, etc.); formas reduzidas (minicontos, minicrônicas, etc.); intertextualidade e metalinguagem.
Autores contemporâneos citados: Ariano Suassuna, Antonio Callado, Adélia Prado, Ferreira Gullar e Nélida Piñon. E é discutido sobre os leitores desse tempo moderno. Fomos questionados sobre o que estamos consumindo (literatura) no dia a dia. Os professores deram seus exemplos pessoais de leitura e mostraram algumas obras que estão em processo de leitura.
Agora estamos falando sobre as narrativas (migrantes) que de livros foram para o cinema, ou de games para o cinema, ou filmes que foram para os HQs (e o inverso). Vários exemplos foram dados, principalmente as produções da Disney. Não foi citado na aula, mas ouvindo essas informações me lembrei de que uma outra migração tem acontecido com frequência ultimamente: Youtubers (pessoas que produzem conteúdo em vídeo para a internet) transformando seus canais em livros, e alguns já estrelaram até filme, como aconteceu no ano passado com a youtuber Kéfera Buchmann, que estrelou o filme É Fada. Muitos desses artistas (vou defini-los assim) têm lançado livros baseados nas suas experiência e vivência na grande rede.
Aula 9: 09 de novembro de 2017
Hoje a aula está em formato de programa de entrevista. O nome do programa é Literatura em Foco. A professora Evany está interpretando uma personagem: Eva Paradise. Como ontem, hoje ainda estamos estudando sobre a literatura infantojuvenil contemporânea, os tipos de leitores da modernidade e a relação entre literatura e cinema.
Eles estão mostrando um material contendo livros que viraram filmes. Dentre eles estão Mulher Maravilha, O Silêncio, It: a coisa, Cinquenta tons de cinza, A garota do trem, A cabana etc. E para complementar, eles inseriram a relação da música com as obras cinematográficas. Há toda uma contextualização de como se iniciou o processo de trilha sonora dos filmes e exemplos com vários vídeos contendo esse hibridismo.
Na segunda parte da aula o cenário foi mudado. Agora o formato do programa é Literatura Alerta. A primeira obra comentada é As Crônicas de Narnia, de C.S Lewis. Depois Senhor dos Anéis. A professora Evany faz um breve resumo delas e pontou a importância dessas e de outras obras nos dias hoje. Lógico que não poderia faltar os livros do bruxo mais famoso do mundo, Harry Potter. Escrito pela britânica J.K Rowling, esse sucesso é a séria escrita mais vendida em toda história. Os filmes, baseados nos livros, também sucessos mundiais, principalmente entre jovens e adolescentes. Es aí um bom exemplo de que produções literárias podem se dar muito bem nas telas.
Aula 10: 10 de novembro de 2017
Hoje não temos aula via IPTV. Estamos todos na sala discutindo os últimos detalhes da nossa Feira Literária Infantojuvenil, que acontecerá na segunda-feira (dia 13). Começaram neste momento os comentários sobre a leitura dos textos do livro Memórias Literárias, o qual foi organizado pela professora Evany. Os colegas relataram as impressões que tiveram dos textos lidos. Alguns disseram que se identificaram bastante com os relatos, encontrando histórias emocionantes.
Depois desse momento, cada grupo comentou sua experiência em ir às escolas poder de alguma forma provar sua realidade no que se refere às obras infantojuvenis disponíveis. Relataram que muitas estão em precariedade, não só no acervo disponível, mas também na própria infraestrutura e espaço dedicados a biblioteca.





MEMÓRIAS LITERÁRIAS

Na Teoria e Prática da Leitura fiz uma memória literária e coloquei tudo o que me veio à mente sobre minha relação com a leitura. Então, para não ser redundante e ter que repetir tudo outra vez, vou me focar somente no que realmente importa para essa memória aqui: literatura infantojuvenil.
Meus primeiros contatos com esse tipo de literatura foi oral. Minha avó me contava muitas estórias quando eu era pequeno e sinceramente esse é o único registro que tenho sobre literatura infantojuvenil. Tive contato com textos escritos, é verdade, mas foram pouquíssimos. Nunca li uma obra infantil inteira, somente fragmentos, e mais, não foram gêneros variados, e sim somente um: histórias em quadrinhos da Turma da Mônica. É isso. Espero poder ler, agora que fui impulsionado a isso por causa das aulas, uma obra infantojuvenil completa.








domingo, 15 de outubro de 2017

Comentário sobre o livro "Morri para Viver", de Andressa Urach


O que me atraiu para essa leitura não foi o fato da Andressa Urach ser famosa e conhecida em todo país, e sim porque eu preciso muito ler algo que retrate a vida na sua forma nua e crua. Já estou quase para terminar a leitura e digo com sinceridade que ela tem me sensibilizado. A autora abre as portas do seu coração e faz revelações incríveis. Mostra até que ponto o ser humano pode chegar para conseguir fama e dinheiro. Mostra o que há de fato nos bastidores da fama: drogas, prostituição, etc., e como consequência, depressão, angústia e dor.
Graças a Deus, tudo é contado pela autora como um testemunho, pois segundo suas próprias palavras, hoje ela é uma nova pessoa, e aquela velha Andressa, de um passado tão obscuro, já não existe mais. E eu creio nisso, porque sei que Jesus é o único que pode nos dar uma nova vida, transformando nosso caráter e mudando nossa história.
2 Coríntios 5.17: “Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas!
Trechos do livro:
“Dia após dia, avanço em meu novo estágio de vida carregando marcas cruciantes no meu corpo após a internação que quase me levou à morte.”
“As dores contorciam meu corpo. Eu me apertava com força na esperança de sufocar tanto sofrimento.”
“Meu quadro se tornava cada vez mais complicado. Eu entrei em coma.”
“A minha alma não estava presa ao corpo. Eu estava na fronteira da morte. A sensação era nítida: estava partindo para o outro lado, era o fim da vida para mim.”
“Era uma luz acolhedora. Era a paz absoluta. A experiência é impossível de ser reproduzida com fidelidade em palavras. Era Deus. Eu sei que era Deus. Eu vi Sua luz.”
“Eu nunca pensei duas vezes sobre entrar na faca. Quando as pessoas me avisavam sobre os perigos das cirurgias, eu só pensava que resolveria o problema se ele aparecesse.”
“Meu histórico com as plásticas é longo. Fiz loucuras de que me arrependo. Mergulhei fundo nesse universo de transformações irracionais do corpo.”
“O vício desenfreado pelas plásticas me custou um preço alto. E eu o estava pagando internada, durante semanas, em coma na UTI.”
“Eu sempre ouvi falar das histórias de gente excluída recuperada pela ação da fé.”
“Mas confesso que lutei para isso acontecer. Achei que não havia solução para mim. Achei que Deus jamais me perdoaria por tantos erros cometidos, um atrás do outro, e de maneira inconsequente. Achei que eu mesma nunca me perdoaria pela vida que construí.”
“Um passo decisivo foi parar de sentir autopiedade. Assumi meus erros para mim mesma. A culpa de tudo não poderia ser unicamente dos meus abusos e traumas da infância. Quantas mulheres se reerguem desse labirinto e conseguem vencer na vida, se tornar pessoas de bem e com amor-próprio?”
“A palavra redenção ganhou um significado amplo para mim. Libertação, proteção, salvação, socorro.”
“Tenho certeza absoluta do perdão de Deus e vivo essa crença sincera unicamente pela convicção nas promessas da Bíblia e nunca, jamais, porque sou ou me reconheça merecedora disso.”

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Menino na chuva


Análise do Módulo 7 "Poema e sentido: namoro à vista" do livro Diálogo em Gêneros, de Eliana Santos Beltrão e Tereza Gordilho

Abaixo registro minhas respostas dadas a uma série de perguntas relacionadas à análise de um livro didático. Devido o tempo, não analisamos um livro inteiro, e sim somente um de seus módulos – no caso o 7 (Poema e sentido: namoro à vista). O livro tem por título Diálogo em Gêneros, e as autoras são Eliana Santos Beltrão e Tereza Gordilho. A prova tinha como pontuação máxima 8,0 e eu, para minha surpresa, consegui os 8,0 pontos.
Johnatas Silva*
Questão 1.
Os aspectos gráficos do livro didático “Diálogo e Gêneros”, de Eliana Santos Beltrão e Tereza Gordilho apresentam cores e tons diferenciados, imagens variadas, as quais podem ser encontradas do início ao fim do módulo 7, “Poema e sentido: namoro à vista”. No que se refere às seções, os conteúdos do módulo apresentam os objetivos que serão abordados: texto, conversando sobre o texto, , explorando o gênero (atividade),  a linguagem, gênero em diálogo, por dentro da língua, linguagem e sentidos. Essas seções estão destacadas por uma cor diferenciada e o texto do título está em negrito com letra maior etc.
A sequência de atividades propostas procura observar a linguagem utilizada nos poemas, trabalhando com os sentidos produzidos pela linguagem verbal dos poemas e requerendo que o estudante produza descrições dos textos apresentados, respondendo questões objetivas e subjetivas. As atividades solicitam que o aluno aponte as temáticas trabalhadas no texto, o que está em consonância com o Descritor 6 – Identificar o tema de um texto (SAEB, 2011, p.33). Essas atividades seguem o Guia do PNLD 2018: “A prática do ensino de leitura também denota suficiência satisfatória para desenvolver a competência leitora dos estudantes [...]”.
Acerca do uso do livro didático pelo professor em sala de aula, é importante destacar que ele (o livro) não é o único material que o professor usará para ministrar suas aulas. Ele é, na verdade, um valioso recurso para o acesso à informação, cultura e conhecimento. Ao professor cabe o uso correto e adequado desse material, visando como meta principal aulas carregadas de conteúdos que contribuam para uma aprendizagem significativa. Os livros didáticos, ao longo dos anos, vêm sofrendo inúmeras transformações, as quais em boa parte são para melhor. As editoras têm investido muito na incorporação de novas tecnologias, avanços metodológicos e recursos gráficos, afim de atender as diretrizes da educação no Brasil e propiciar qualidade de conteúdo para educadores e educandos. O livro didático é, sem sombra de dúvidas, um importante instrumento de apoio ao trabalho do professor.
Questão 2.
As atividades de leitura e interpretação de texto têm uma proposta centrada na leitura, em sua maioria, de textos de autores consagrados e textos atuais, principalmente em tirinhas, que fazem parte do cotidiano dos alunos, como por exemplo as tirinhas de Calvin e Haroldo. Essas atividades seguem o mesmo modelo: leitura de um texto e depois discussão, reflexão e análise deste. Nas atividades, as questões exigem que os alunos identifiquem o que há de explícito e implícito nas obras trabalhadas, por exemplo: apontar o tempo, discorrer sobre características do eu lírico, identificar sentimentos, transcrever partes do texto para análise e apontamento de algo que se pede etc. Essas atividades se alinham aos Descritores 1 e 4 do SAEB 2011: “Localizar informações explícitas em um texto” e “inferir uma informação implícita em um texto” (p. 22). A interpretação de texto faz o aluno pensar além porque o instiga em sua imaginação e o faz relacionar o que é abordado nos textos à sua vida real. Exemplo: na página 244 é solicitado que o aluno imagine muitas histórias, tendo por base uma cena vista anteriormente. Depois disso, ele deverá criar sua própria história, em poucas linhas, e dar um título a ela.
O aluno é levado a relacionar o texto lido com outros dos quais ele possui conhecimento, fazendo com que ele faça uso de seus conhecimentos de mundo existentes. Acerca disso, o Descritor 20 diz: “Reconhecer diferentes formas de tratar uma informação na comparação de textos que tratam do mesmo tema, em função das condições em que ele foi produzido e daquelas em que será recebido” (SAEB, 2011, p.22).
Existe sim uma clareza acerca dos conceitos do gênero textual “poema”, mas não de forma direta. Eles são construídos e exemplificados através das atividades propostas e principalmente através de vários boxes que acompanham os textos. Nesses boxes existem vocabulários e questões conceituais, como por exemplo o significado do que é intertextualidade, verso e estrofe, rimas, variação histórica, figuras de linguagem, entre outros. Tudo isso implica na habilidade de o aluno reconhecer gêneros textuais diferenciados e sua função social: informar, convencer, advertir, instruir, explicar, comentar, divertir, solicitar, recomendar etc (Descritor 12, SAEB, 2011, p. 40).
Questão 3.
A seção “Por dentro da língua” trata do termo da oração adjunto adnominal. Os conceitos gramaticais acerca dele são apresentados, de forma bem direta, e também construídos à medida que os alunos respondem às atividades. A estratégia para a construção desses conceitos é fazê-lo voltar ao texto e identificar onde um termo sintático aparece na estrutura frasal do poema, por isso que os exercícios de análise linguística estão estritamente ligados ao texto. Há reflexão sobre os sentidos promovidos pelos conhecimentos linguísticos, como por exemplo na questão “d” da página 245, quando é pedido que o aluno descreva que palavras o eu lírico escreve para sua amada. As palavras são adjuntos adnominais, que auxiliam o aluno a fixar mais o conceito sobre o termo estudado e também refletir sobre o que se desperta ao ler textos construídos dessa maneira.
Para finalizar essa abordagem sobre as questões linguísticas, cito o Guia do PNLD 2018: “[...] no tocante ao eixo de Análise Linguística, analisaram-se a pertinência e a coerência da perspectiva adotada para o estudo da língua, observando as atividades e reflexões propostas no que diz respeito à natureza e ao funcionamento linguístico, à seleção e abordagem dos conteúdos em franco diálogo com os demais eixos do ensino e ao tratamento dado às convenções linguísticas” (p. 14).

*Aluno do 5º perído do curso de Letras (Mediado) Língua Portuguesa da UEA - Universidade do Estado do Amozonas.

domingo, 8 de outubro de 2017

Na minha opinião o melhor comentário sobre a exposição do MAM

Diante da enxurrada de opiniões sobre o caso do MAM (nudez e criança), reproduzo o texto de Luciano Trigo:

Carta aberta à dona Regina

Não sei como chegou até a senhora a notícia da performance no Museu de Arte de Moderna de São Paulo, na qual uma menina de 5 anos foi estimulada pela mãe a interagir fisicamente com um homem adulto nu – para deleite de uma plateia de adultos vestidos. Também não faço ideia de como a senhora foi parar na plateia de um programa televisivo cuja intenção não parecia ser expor diferentes pontos de vista sobre o episódio, mas sim reforçar um pensamento único e um julgamento sumário – o de desqualificar qualquer crítica à performance como “censura”.

O que eu sei é que a senhora entendeu algo que passou despercebido ao discurso hegemônico dos intelectuais e artistas que se manifestaram sobre o caso: o problema da performance não estava na nudez; o problema da performance não estava nas fronteiras da definição do que é arte; o problema da performance não estava no uso de recursos públicos. Com uma só palavra a senhora desmontou a fala daqueles que, de maneira sincera ou falsa, insistiam nesses pontos: a palavra foi “criança”.

Talvez a senhora não se dê conta da importância da sua manifestação. Com seu jeito simples, o que a senhora fez foi revelar o abismo crescente que se cava entre os brasileiros comuns e a classe que pretende falar em seu nome. Esses brasileiros não se chocam com a nudez nem estão interessados na arte das elites pensantes e falantes, até porque têm mais o que fazer. Mas, para esses brasileiros, a infância é uma fronteira que não pode ser ultrapassada. O que a senhora fez foi vocalizar o desconforto do Brasil real diante desse limite que foi desrespeitado.

A reação dos apresentadores foi reveladora desse abismo. Diante de uma idosa que poderia ser a mãe ou avó querida de qualquer espectador, as expressões e olhares foram de: perplexidade, ódio, desprezo, deboche. E a senhora respondeu com um olhar de bondade, sereno e doce. Ao “Não vou nem comentar” emitido com ar de desdém e superioridade moral, a senhora respondeu com a paciência de quem não se incomoda em explicar o óbvio: o choque não vinha da nudez do adulto, vinha da exposição da criança. E o fato de a menina estar acompanhada da mãe não era um atenuante da situação: era um agravante.

Diferentemente dos intelectuais do Facebook, a senhora sabe que o que aconteceu no MAM não tem nada a ver com o Davi de Michelangelo; que o que aconteceu no MAM não tem nada a ver com o que acontece em praias de nudismo, onde aliás as regras são bastante rígidas; que o que aconteceu no MAM não tem nada a ver com os hábitos e costumes da Dinamarca; que o que aconteceu no MAM não tem nada a ver com uma criança tomar banho nua com os pais – adultos cujo vínculo afetivo e convivência cotidiana fazem do contato físico e da intimidade uma experiência positiva e saudável para o seu desenvolvimento emocional e psicológico – como aliás afirma uma nota na Associação Médica Brasileira que critica duramente a performance, por suas “repercussões imprevisíveis” diante da vulnerabilidade emocional da criança.

Não sei se esses intelectuais das redes sociais não entendem ou se fingem que não entendem nada disso. O mais irônico, Dona Regina, é que eles parecem não se dar conta da campanha involuntária que estão fazendo, ao jogarem no colo da direita a bandeira da defesa da infância – como já jogaram, aliás, a bandeira do combate à corrupção. Com progressistas agindo dessa maneira, os conservadores agradecem. Parabéns, Dona Regina. Para quem assistiu foi muito legal.

Luciano Trigo
08/10/2017

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

LIVROS QUE LI EM 2016

1. A Língua de Eulália
Autor: Marcos Bagno
Editora: Editora Contexto
Ano: 15. Ed. 2006

Comentário: O livro traz temáticas relevantes no que diz à língua portuguesa e seu ensino no Brasil. Temas como o preconceito linguístico são tratados de forma séria e com fundamentos históricos e científicos difíceis de serem refutados. Com uma narrativa cativante, o autor discorre sobre as diferenças entre o português padrão e o não-padrão, explicando cientificamente os fenômenos naturais da língua e desmitificando o mito da unidade linguística (mito da língua única) no Brasil.
Equipara as mais variadas formas de português falado no Brasil com as relações socioeconômicas, afirmando que o preconceito linguístico advém, em suma, das diferenças de classes existentes no país. O autor dar considerada ênfase ao trabalho e a prática do professor, principalmente o de língua portuguesa. Por fim, mostra grande parte das características e funcionalidades da variedade linguística falada no Brasil: o português não-padrão (PNP).

2. Integridade Moral e Espiritual: O Legado do Livro de Daniel para a Igreja de Hoje
Autor: Elienai Cabral
Editora: CPAD
Ano: 2014

Comentário: Por destacar o aspecto moral e espiritual da vida do profeta Daniel, o livro mostra como Daniel permaneceu fiel ao seu Deus, mesmo estando longe de sua terra natal, quando ainda era um adolescente. O autor mostra o que Daniel fez para não se contaminar com o sistema pagão da Babilônia, e como permaneceu firme em suas convicções de fé, sendo leal ao seu Deus até as últimas consequências.
O autor também reserva a maior parte do livro para falar das experiências vivenciadas por Daniel. O profeta teve sonhos, visões, interpretações e revelação profundas da parte de Deus, tanto relacionadas a seu tempo quanto a um período vindouro. Dessa forma, o autor arrisca-se em desencadear uma série de interpretações escatológicas, comparando as profecias de Daniel com outras partes da Bíblia, principalmente com o livro de Apocalipse.

3. O Que é Ideologia
Autor: Marilena Chauí
Editora: Brasiliense
Ano: 1980


Síntese: O livro faz menção a alguns teóricos sobre a concepção do termo ideologia, mas pauta-se definitivamente nas definições de Marx e Engels. Para eles ideologia é resultado da divisão social do trabalho (intelectual e material); são ideias de uma classe dominante de uma época – internalizadas e automatizados na classe dominada, de modo que a dominação não seja percebida em sua realidade concreta; é instrumento de dominação; é transformar as ideias particulares da classe dominante em ideias universais, válidas para toda sociedade; é uma ilusão à dominação de classe. “A ideologia é umas das formas de práxis social:  aquela que, partindo da experiência imediata dos dados da vida social, constrói abstratamente um sistema de ideias ou representações sobre a realidade”.

Infelizmente 2016 não foi um dos meus melhores anos no que se refere à leitura. É meio constrangedor ter que reconhecer, uma vez que sou estudante de Letras Língua Portuguesa. E 2017 está indo pelo mesmo caminho (risos). Espero poder me "redimir" até dezembro. 

UM SORRISO NÃO ESPONTÂNEO

“O mais dolorido é um sorriso não espontâneo; é um rosto tentando demonstrar algo inexistente; é no fundo um olhar de um coração partido”, com essa frase no Facebook iniciei meu dia hoje. Não poderia ser diferente, uma vez que ela reflete o estado em que me encontro.

Eu poderia escrever milhões de textos e descarregar aqui, da forma mais clara possível minhas angústias e dilemas, mas não posso; é um risco, e de tantos outros que já tenho corrido, não quero me arriscar em mais um. Não mesmo. Nessas horas sou bem covarde.

Só há uma pessoa que entende me entende até mais do que eu mesmo. Ela sabe da forma mais pura e simples possível o que me prende nas amarras da dor e da solidão. Ela continua lá, esperando por mim. Esperando por minha volta em sua direção.

Ah, seria tão bom se nada disso fosse real. Seria tão bom se fosse apenas um sonho. Seria tão bom se fossem apenas pensamentos vagos. Seria tão bom...

Johnatas Silva

24.07.2016


BREVES TEXTOS






RESUMO DO LIVRO ROMANTISMO DE ADILSON CITELLI

RESUMO DO LIVRO  ROMANTISMO DE ADILSON CITELLI




Johnatas Silva*

O livro Romantismo, do professor Adilson Citelli, tem por objetivo analisar minuciosamente as mais variadas facetas da estética romântica, examinando as ações e movimentos a ela relacionados, bem como suas conexões histórico-culturais. O foco do autor recai sobre os autores e obras que melhor exemplificam o movimento. Adilson Citelli é graduado em Letras pela USP, onde na mesma instituição formou-se mestre e doutor em Literatura Brasileira. Possui o título de livre docente e desde 1986 integra o Departamento de Comunicações e Educação da ECA-USP.

Nos primeiros três capítulos do livro, o autor destaca como a palavra romantismo ganhou um lugar de destaque nos mais variados tipos de discursos, tanto no passado quanto no presente; situa a estética romântica entre o final do século XVIII e meados do século XIX; explica a tensão romântica à luz de certos fatores históricos que balançaram povos e nações; mostra as formas com as quais o Romantismo foi vivenciado na Inglaterra, Alemanha e França, diferenciando-o no contexto histórico-social de cada país; pontua a importância da música, da pintura e do teatro no período histórico do Romantismo; e faz relação entre o espírito criativo (genialidade) e a natureza.

A partir do capítulo quatro, o autor começa a abordagem sobre Romantismo no Brasil, já logo de início pontuando que a preocupação maior da primeira geração romântica brasileira era consolidar a identidade nacional. Faz menção das obras indianistas do poeta Gonçalves Dias, que concentra as ideias de nacionalidade na figura do índio. Logo em seguida cita José de Alencar – também indianista que deu elevada exaltação à natureza – e enumera suas obras mais conhecidas, destacando a imprescindível importância do autor na literatura brasileira.

Em continuação, depois de discorrer sobre a primeira geração romântica e analisar alguns de seus autores e suas respectivas obras, o professor Adilson fala da segunda, pontuando suas características e enumerando os autores de maior destaque nesse período: Casimiro de Abreu, Junqueira Freire, Fagundes Varela e Álvares de Azevedo, sendo este último o ponto mais alto da segunda geração do Romantismo no Brasil. Na terceira geração romântica, o maior destaque vai para Castro Alves, o qual se dedicou a abordar a escravatura no Brasil, evidenciando em suas obras a indignação que sentia pela exploração do trabalho escravo. Para Castro Alves, o fim da escravidão resultaria em colocar o Brasil nos trilhos da História novamente.

Até o capítulo quatro, o objetivo foi, segundo o próprio autor, o de situar algumas variáveis chamadas de “expressões românticas”. Agora, já no último capítulo do livro, o intuito é o de retomar determinadas características românticas como o individualismo, o “eu” criador absoluto, a extrema valorização das emoções, a imaginação como sinônimo de fuga da realidade, à volta ao passado, a valorização da morte, a valorização da natureza, o amor idealizado e a idealização da mulher (figura angelical e pura), facilitando, assim, uma apreensão mais sistemática do movimento.

Nas últimas páginas do livro, o professor Citelli pontua que o publico médio do Romantismo eram os jovens e recém-alfabetizados burgueses, e encerra o livro com um índice dos autores românticos citados na obra, um vocabulário crítico e uma biografia comentada.

Minhas impressões sobre o livro são as melhores possíveis. Não há duvidas de que a obra é fruto de um trabalho árduo e de anos de pesquisa sobre a escola literária Romantismo. De fato a obra faz uma abordagem não só panorâmica, mas principalmente descritiva, detalhista e analítica de todos os fatores que permeavam e integravam o movimento romântico. O que me chamou bastante atenção foi a forma como o professor Adilson pontuou e esclareceu questões relacionadas ao contexto histórico da época, me fazendo lembrar de uma frase que sempre ouço nas aulas de literatura: “a obra de um autor é produto de seu tempo”. Agora compreendo com mais clareza porque José de Alencar exaltou tanto a natureza brasileira, porque Álvares de Azevedo focou-se no tema da morte, porque Castro Alves escreveu sobre escravidão e tantos outros exemplos que eu poderia aqui mencionar.

Para mim, o Romantismo é uma leitura indispensável para todos aqueles que desejam ter uma visão mais ampla e mais profunda sobre o movimento literário denominado Romantismo.

*Aluno do 5º perído do curso de Letras (Mediado) Língua Portuguesa da UEA - Universidade do Estado do Amozonas.

domingo, 20 de agosto de 2017

Diário de Bordo #LP

Apresentação

Este diário foi proposto pelos professores como parte do material avaliativo desse componente curricular. Segundo as orientações, deveríamos registrar nele nosso dia a dia nas aulas. Já que foram semanas de muitas leituras e pesquisas, tudo deveria constar por escrito nesse diário, chamado propositalmente de Diário de Bordo, pois faz referência aos diários que os navegadores usavam nas grandes descobertas marítimas dos séculos passados.

Tentei da melhor maneira possível expressar aqui tudo o que aprendi e tudo que me chamou mais atenção. Cada autor estudado, obra lida, enfim, tudo que será, não só para o meu proveito, mas também para aqueles que tiverem acesso a esse material. Espero ter satisfeito às expectativas e preenchido os requisitos solicitados.

Apesar de não ser o trabalho tão longo, não foi tão fácil concluí-lo. Mas, enfim, terminei, isso é o mais importante!

Johnatas Silva

19 de junho de 2017






Diário de Bordo

16 de maio de 2017
Hoje começamos o novo componente curricular. Estudaremos temáticas dentro da literatura portuguesa. A professora Fátima iniciou a aula apresentando toda a estrutura da disciplina, explicando como irão funcionar as avaliações. Num primeiro momento foi falado sobre o que existe de herança portuguesa ao nosso redor. Nós ouvimos uma música, baseada num poema, que trata das heranças portuguesas presentes na vida do brasileiro. Depois fizemos uma dinâmica local e discutimos os traços portugueses existentes aqui em Manacapuru. O colega Raimundo Nogueira contribuiu bastante, relatando sobre a existência algumas famílias descendentes diretos de portugueses. Ele falou também sobre algumas construções portuguesas existentes na cidade.
17 de maio de 2017
Fizemos hoje uma boa reflexão sobre o Romantismo. Aprendemos que romântico é aquele que sempre anseia algo novo, que nunca está satisfeito com a realidade a sua volta, que não fica inerte no tempo. É aquele que cria, que se renova a cada dia. Dentre os autores citados na aula de hoje, gostaria de destacar um pouco da vida e da obra de Almeida Garret.
Almeida Garret (1799 – 1854) teve contato com a estética romântica em suas viagens pela Europa, com destaque para França, Alemanha e Inglaterra. Garrett foi o introdutor do Romantismo em Portugal com sua obra Camões (1825) quando aborda as aventuras e o sofrimento do grande poeta lusitano. Todavia Garrett ainda apresenta traços ligados à tradição clássica em sua linguagem culta e contenção das emoções. Sua obra está voltada para ênfase na recuperação do passado histórico de Portugal, pautada no medievalismo. Sua produção passa pela poesia, jornalismo, oratória, teatro e romance. Entre os romances que representam a prosa de ficção de Garret destacam-se: O arco de Sant’Ana, Helena, Viagens na minha terra, o mais conhecido e considerado o romance mais elaborado do autor.
19 de maio de 2017
Semelhantemente à aula de ontem, hoje continuamos nossa reflexão sobre o herói romântico. Em Portugal representado na figura dos cavaleiros medievais, como já abordei acima na obra de Almeida Garret, mas também bem presente na obra de outro grande escritor português: Alexandre Herculano. Ele é um dos grandes nomes da primeira geração romântica portuguesa. Foi poeta e romancista, dedicando-se principalmente ao romance histórico em que explorou a história medieval portuguesa. De acordo com Moisés (2005), Herculano foi, acima de tudo, um grande historiador, o que lhe rendeu considerável prestígio. Sua obra traz o tema “fuga para o passado” através do medievalismo, o qual é marcado pelas as aventuras dos cavaleiros honrados, que defendiam sua amada, ajudavam os mais pobres e injustiçados, além de serem fiéis a um ideal de vida. O principal romance de Alexandre Herculano chama-se Eurico, o presbítero (1844). Nessa obra o autor expressa o nacionalismo, o medievalismo e o espírito liberal.
No Brasil, principalmente na obra de José de Alencar, na figura do índio. Esse herói sempre movido pela bravura, heroísmo, coragem, lealdade e nacionalismo.
Ainda na primeira parte da aula, os professores apresentaram um panorama sobre a guerra entre cristãos e muçulmanos, a reconquista cristã da Península Ibérica, a qual durou cerca de sete séculos, e alguns trechos de filmes foram exibidos: Tristão e Isolda, Gladiador e Coração Valente, todos relacionados ao romantismo.
 Depois do intervalo meu grupo se dirigiu para a biblioteca, a fim de discutir sobre os assuntos tratados no artigo que ficamos responsáveis de apresentar amanhã. A discussão foi boa. Dividimos as tarefas e fizemos um roteiro do que será apresentado amanhã pela manhã.
(Indo dormir agora, 01h38 da manhã, depois de ler o artigo de novo e pesquisar mais materiais na internet sobre o nosso autor estudado: Eça de Queirós e seu conto O Tesouro).
20 de maio de 2017
Agora estamos nas apresentações dos grupos sobre seus respectivos autores estudados. O primeiro grupo (Preto) discorreu sobre o artigo Eurico, um romântico idealista de Demétrio Alves Paz. Mostraram uma breve biografia do autor do artigo – já mencionado – e do autor estudado Alexandre Herculano. Em síntese, eles falaram que a obra, por ser uma obra do romantismo, trata da mulher idealizada, perfeita, um ser angelical. Disseram também que a obra é um dos melhores exemplos da retomada dos valores medievais (já frisei isso quando falei sobre Herculano dias atrás).
Em seguida, nosso grupo (Verde) se apresentou. O artigo apresentado tem como titulo Do conto tradicional ao conto de autor: O Tesouro de Eça de Queirós: uma abordagem didática. Apresentamos uma breve biografia de Eça de Queirós, bem como suas principais obras. Mostramos o enredo do conto, pontuando seus principais aspectos: estrutura, estilo, personagens e temas abordados. Dentre as temáticas, destacamos a questão da moralidade, as características negativas suscitadas nos personagens (cobiça, ganância, avareza, desconfiança, ambição, egoísmo, inveja). O conto tem um desfecho trágico: a morte. Percebe-se que o autor tentar despertar no leitor o desejo pela perfeição, uma vez que o mal é punido severamente. O autor mostra no conto a natureza cruel e selvagem dos protagonistas (característico das obras realistas).
Em continuação, apresentou-se o grupo Vermelho. Eles trabalharam com o artigo Crônica e tempo: Lobo Antunes Revisado. Apresentaram uma breve biografia da autora do artigo, Elvira Brito Campos e também de Lobo Antunes. De acordo com o grupo, para autora do artigo, Lobo Antunes apresenta em seus textos uma narrativa poética e um questionamento filosófico sobre o tempo cronológico e o tempo psicológico.
Depois disso, o grupo Amarelo tratou também dos contos queirosianos, trabalhando com o artigo Singularidades narrativas: matrizes culturais nos contos queirosianos de Alana de Oliveira Freitas. O grupo apresentou uma mini biografia sobre a autora do artigo e sobre Eça de Queirós. Os acadêmicos disseram que ele é o maior expoente da prosa realista portuguesa. Seu estilo se caracteriza pela ironia e sua capacidade descritiva dos fatos bem peculiares da estética realista. Sobre as matrizes culturais ocidentais foi posto A Bíblia Sagrada (Adão e Eva no Paraíso), A literatura clássica (A perfeição), A literatura de tradição oral (BO tesouro).
Acerca dos aspectos temáticos na produção do contista eciana, foram pontuados os recursos intertextuais e a criação de narrativas singulares. Dessa forma, as apresentações se fecham com a leitura de vários contos, um romance e uma crônica.
21 de maio de 2017
Professora solicitou que entregássemos amanhã (segunda-feira) o exercício da página 101 do livro-texto. Como os enunciados são um pouco extensos, vou registrar aqui no diário somente as respostas.
Exercícios de aplicação (respostas):
Exercício 1.
Certamente “o mundo contemporâneo é feito de permanente instabilidade”. Isso porque o homem pós-moderno, principalmente no ocidente, é inseguro e inconstante, com agudas crises de identidade. Isabel Pires de Lima, no fragmento lido, expõe o comportamento desse homem, frente a esse novo tempo estabelecido.
A relação entre os autores apresentado no tópico A formação da nação face aos percursos do passado e o texto de Lima é clara. Por exemplo, para o filósofo e ensaísta José Gil – considerado um dos maiores pensadores contemporâneos – mudanças ocorreram na sociedade portuguesa, mas nunca mudanças profundas. Segundo ele, o medo causado pela ditadura salazariana, interiorizou-se no homem português, de modo que sua mentalidade continuou fechada e presa à inércia.
Outro nome de destaque é o de Raul Brandão.  Ele deixa bastante explicito em suas obras a dor que sente na consciência ao ver a humanidade sendo explorada. Exploração que é revelada e denunciada em seus escritos. Outra temática que ganha lugar de destaque nas obras de Raul Brandão são as contradições humanas, uma vez que ele consegue captar a vida cotidiana, o sofrimento, a humilhação e o remorso.
Penso que não só na sociedade portuguesa atual (analisada aqui), mas também em outras nações, como no Brasil, por exemplo, essa inconstância é aparente. Não sei se pelo excesso que informações que são absorvidas ou por alguns outros possíveis motivos, o indivíduo contemporâneo está cada dia mais confuso, mais inseguro, sem direção, e, pior, sem representatividade, em todos os aspectos.
Exercício 2.
A diáspora é, em uma definição bem objetiva, a dispersão de um povo em consequência de um preconceito ou perseguição política, religiosa ou étnica. Tanto na obra Ferreira de Castro como na de Maria Gabriela Llansol, a diáspora é vivenciada, pois ambos viveram longe de sua pátria mãe por algum tempo. Llansol viveu exilada na Bélgica entre 1965-1984 e Ferreira de Castro deixou Portugal por questões financeiras – Alberto, personagem do livro A Selva¸ deixa as terras portuguesas por questões políticas. Certamente Ferreira de Castro tinha saudades de Portugal, sua pátria. Esse sentimento é comum em praticamente todos aqueles que, por algum motivo, saem do seu país de origem.
Exercício 3.
Depois de ler o tópico Portugal e (re) encontro com a Europa, a ideia que me vem à mente é exatamente a de um país que não mais deixa (ou expulsa) seus filhos irem embora, mas que agora os recebe de volta e os acolhe, e não só a eles como também os filhos de outras nações. Constitui-se numa época de forte imigração. Percebo também uma identidade sendo, de alguma forma, resgata e reconstruída, resultado desse encontro com novas culturas.
Exercício 4.
João Tordo. Na obra “As Três Vidas”, o narrador e personagem principal, vai trabalhar num negócio onde um importante espião e contraespião, Milhouse Pascal, dá consultas. Apaixonando-se pela sua neta, Camila, entra em desespero quando esta desaparece após uma viagem a Nova Iorque. Numa investigação em companhia do avô da moça, os mistérios que envolvem aquela família, vão se revelando. Entre vários episódios, que evidenciam o ideal de Camila contra tudo e contra todos, o desastre das torres gémeas em 2001 é um dos pontos-chaves do romance e que vai permitir que todo o novelo se desenrole, fazendo o narrador voltar a uma vida normal e monótona, contraponto de uma ilusão que alimentou e que quase concretizou. As suas três vidas (a de ilusão, a de penitência e a de volta à realidade), são metáforas da realidade portuguesa e da subjetividade dos indivíduos dessa nacionalidade, tudo em profunda e frenética busca de uma refundação da identidade pessoal e nacional, perdida com a perda de importância de Portugal no contexto das nações europeias. Nessa dolorosa busca, a realidade lusitana decadente, para mostrar-se palatável, precisa ser percebida e analisada não segundo a perspectiva das ciências sociais, mas, sobretudo, da imaginação, que não significa mero devaneio, senão o exercício da criatividade, da invenção do novo, da descoberta do inusitado e da construção do improvável. Na dicção da professora Isabel Lima, essa imaginação “emerge como potenciadora de alterações profundas, perturbadoras e enriquecedoras quer nas relações humanas (...), quer na autopercepção e autocompreensão do próprio país enquanto coletividade em processo de refundação identitária”. Como exercício de elucubração, pode-se relacionar essa literatura portuguesa contemporânea com aquela produzida no Brasil, a partir da Semana Moderna de 1922, quando os autores, como Mário de Andrade e Oswald de Andrade, seguidos pela geração de 1930, voltam-se para os temas nacionais e produzem uma literatura genuinamente brasileira, que discute as grandes questões do país e de seu sofrido povo, agora com uma identidade própria da qual não se envergonham mais.
Questão para reflexão.
No livro A Nau de Ícaro, o ensaísta e crítico literário Eduardo Lourenço discute aspectos da cultura portuguesa num período de refluxo colonial. Nele, Lourenço reflete sobre as aventuras do pequeno país Portugal, que navegou no sonho dos “descobrimentos”, mas que agora retorna ao seu porto como nação saudosa e solitária.
A cais de saída se refere à coragem dos portugueses em descobrir terras além daquele grande oceano, às grandes caravelas que os espalharam pela América e África nos séculos das grandes navegações. Em contraste a essa gloriosa fase da história de Portugal, há o cais de chegada, entendido pelo fragmento lido da obra de Eduardo Lourenço como o retorno de milhares de portugueses a Portugal e a países centrais da Europa, trazendo em si um sentimento de saudade, nostalgia, que, para o autor, “obscurece a nossa atualidade [falando de Portugal] de povo do século 20”.
22 de maio de 2017
Hoje começamos a estudar a estética realista. Basicamente, pelo que está sendo ministrado, o Realismo se fundamenta na racionalidade, objetividade lógica e a experimentação. Foi um movimento guiado pelas lentes da ciência.  Eu sinceramente acho interessante esse período, porque apesar de seus equívocos, o que é natural, é uma estética que mostra, de forma nua e crua, a natureza humana.
23 de maio de 2017
Hoje estamos ainda no Realismo. Estamos lendo alguns trecos do livro O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós. A análise está bastante interessante. O autor expõe uma natureza humana cheia de desvios morais e malícia. A personagem principal da obra revela-se contraditório e um tanto hipócrita também, pelo menos é o que penso. Também começamos a rever o Naturalismo como extensão do Realismo. No Naturalismo, aspectos animalescos do ser humano são bem expostos.
Como dinâmica local no primeiro momento da aula, nos foi dada uma questão para discutirmos em sala a respeito dos temas do Realismo: crítica social, o uso da ironia, a análise de caráter, a profunda natureza vil e corpórea, dentre outros.
Impossível não comentar sobre Eça de Queirós e sua obra numa dinâmica dessas. Ele, como já registrei aqui, é considerado o maior expoente da prosa realista portuguesa. Em sua obra se destaca a ironia como aborda os assuntos trados por ele e a descrição detalhada dos fatos. Nela há uma forte crítica social, cheia de ironia e sátira, que tinham por objetivo contrariar alguns valores tradicionais. Ele fazia uma espécie de raio-X da sociedade, mostrando tal como ela é. Dentre suas obras, destaco O crime do padre Amaro, O primo Basílio, Os mais, O mandarim e A Relíquia. Por essas características, pude entender a importância desse autor para a literatura portuguesa.
26 de maio de 2017
A aula iniciou com a exibição do filme A Selva, baseado no livro A Selva, de Ferreira de Castro. Ao assistir ao filme, fiz uma breve conexão com o livro Inferno Verde de Alberto Rangel – estudado numa matéria anterior. A Selva mostra o desenrolar de uma estória vivida na Amazônia no período da borracha. Numa breve pesquisa na internet, encontrei uma sinopse bastante objetiva sobre o longa metragem:
No início do século 19, o jovem português Alberto vive exilado na capital do Pará. Naquelas terras distantes e praticamente inabitadas, ele encontra emprego no seringal Paraíso, localizado no coração da Amazônia. Depois de dias de viagem pela região, o rapaz chega ao local de trabalho e tem como mestre Firmino (Chico Diaz), um cearense que ensina a ele tudo sobre o ofício de extrair borracha. Após um longo período de adaptação e árduo trabalho, passa a cuidar do armazém do seringal, que é de propriedade de Juca Tristão (Cláudio Marzo).  No exercício da nova atividade, ele passa a ter contato direto com o patrão Juca Tristão, seus funcionários e com sua bela mulher do senhor Guerreiro. Dona Yayá (Maitê Proença) cada vez mais desperta interesse em Alberto. Logo, os dois se veem inesperadamente apaixonados e envolvidos, numa relação que pode ser muito perigosa, dado o contexto em que vivem. 
Adaptado da obra de Ferreira Castro lançada em 1930, A Selva ainda traz no elenco Gracindo Júnior. A direção é do português Leonel Vieira, que atualmente trabalha na produção de seu novo longa, Naturezas Mortas. (Disponível em: https://www.guiadasemana.com.br/cinema/sinopse/a-selva)
Após o filme, assistimos um mini documentário chamado Heranças de Portugal Parte I. O mesmo mostrou uma visita feita ao museu do seringal em Manaus. O museu existe desde a gravação do filme.
Já que nessa aula tivemos contato com a obra de Ferreira de Castro, vou aproveitar e inserir, hoje dia 17 de junho, o meu comentário sobre cenas do filme, relacionando-as com o texto escrito pelo referido autor:
As cenas que mais me chamaram atenção no filme foram as que mostram a situação de moradia dos seringueiros no meio da floresta. Totalmente desprovidos de recursos, quase sem mantimentos, entregues a sorte e explorados pelo trabalho árduo na extração do látex da seringueira. No filme, as cenas mostram essa realidade, como também no romance de Ferreira de Castro. Tudo isso motivado pela ganância dos donos dos seringais, fruto de um capitalismo selvagem e desenfreado. Cenas do filme e fragmentos do conto mostram a morte, muitas delas de forma brutal pelos índios, de seringueiros e a indiferença de seus patrões em relação à vida deles.
27 de maio de 2017
Hoje pela manhã nos reunimos na casa do colega Raimundo Nogueira para definirmos o roteiro do nosso vídeo que será produzido para apresentação no próximo sábado como parte da avaliação parcial 2 (AP2) e que será usado posteriormente na I Mostra da Cultura Portuguesa. O assunto que ficou sobre nossa responsabilidade foi a herança deixada pelos portugueses no município de Manacapuru através da arquitetura. Como aqui na nossa cidade não temos muitos prédios com essas características, nos focaremos somente em três, já que estes são edificações erguidas por portugueses aqui em Manacapuru. São eles: Igreja Matriz, Casa da Família Reis e a Restauração – hoje também conhecido como SESC Restauração.
Nossa reunião não foi longa, porém muito proveitosa. Decidimos por explanar nosso assunto gravando um vídeo com características de um programa de Talkshow. A colega Lauanda será a entrevistadora, o colega Raimundo Nogueira será o entrevistado, e Lia, Gilmar e eu seremos os repórteres que farão uma participação “ao vivo” no programa com um link direto das fachadas dos prédios já mencionados. Como não temos recursos suficientes para a produção de um vídeo de alta qualidade, faremos o melhor que podermos com um smartphone mesmo. Uma das nossas fontes de pesquisa e base teórica para este trabalho foi o livro Entendendo Manacapuru Através de Suas Fachadas, de Adalberto Carim Antônio e Raimundo Augusto M. Nogueira. O livro traz fotos de diversas edificações antigas da nossa cidade, bem como a história que acompanha cada uma delas.
30 de maio de 2017
A produção do vídeo para o nosso trabalho sobre a herança portuguesa aqui em Manacapuru tem sido uma tarefa e tanto. Primeiro porque não temos experiência nesse tipo de coisa (produzir um vídeo com fins acadêmicos) e segundo porque nosso tempo e recursos são escassos. Mas de qualquer forma tem sido bastante proveitoso. Eu particularmente já aprendi muita coisa sobre arquitetura antiga de Manacapuru nesses poucos dias. E é notória a contribuição do povo português em nossa cidade, não só na arquitetura.
01 de junho de 2017
Hoje concluímos as filmagens. Não foi tarefa fácil, pois muitos foram os desafios, como já mencionei anteriormente. Mas, enfim, terminamos. Agora é só apresentar e esperar que obtenhamos o resultado desejado. Sinceramente, estou muito contente com esse trabalho, não só pelo desafio de fazer algo inédito, mas principalmente pelo conhecimento que adquiri nesses dias. Agora sei um pouco mais sobre minha cidade, conheço mais de sua história, e tudo isso graças às pesquisas que tiveram que ser feitas para o conteúdo do nosso trabalho.
02 de junho de 2017
Hoje a aula girou em torno da literatura na contemporaneidade. Foi falado sobre como se identificar nesse novo cenário, e o que é de fato ser contemporâneo. Dentre tantos bons autores que temos hoje, foi destaque na aula o português, nascido na África, Valter Hugo Mãe e o português João Tordo. Vimos uma breve biografia dos dois e foram-nos apresentadas suas principais obras, juntamente com comentários e fragmentos de cada uma delas.
Valter Hugo Mãe é um escritor bastante premiado, de acordo com o que está sendo ministrado na aula. Ganhou o Prêmio José Saramago em 2007, arrancando elogios do grande escritor português. Dentre seu leque de obras encontram-se romances, contos, poesia etc. De acordo com o portal online Wikipédia: “Os quatro primeiros romances de Valter Hugo Mãe são conhecidos como a tetralogia das minúsculas. Escritos integralmente sem letras capitais, incluindo o nome do autor, pretendiam chamar a atenção para a natureza oral dos textos e recondução da literatura à liberdade primeira do pensamento. As minúsculas aludem também a uma utopia de igualdade. Uma certa democracia que equiparava as palavras na sua grafia para deixar ao leitor definir o que devia ou não ser acentuado”. Mãe está listado como um dos mais conceituados escritores portugueses da atualidade. Algumas de suas obras: O Remorso de Baltazar Serapião, O Apocalipse dos Trabalhadores, A Máquina de Fazer Espanhóis, O Filho de Mil Homens e a mais recente Homens Imprudentemente Poéticos.
João Tordo também é vencedor do Prêmio José Saramago, ganhou em 2009. Nasceu em Lisboa em 28 de agosto de 1975. Suas obras, em especial os romances, trazem certa dose de mistério e suspense. É um autor em plena aitividade nos dias de hoje, além ser múscio e dar aulas, em forma de oficinas, de escrita, sobretudo de romnace. Dentres suas obras estão: As Três Vidas, que lhe rendeu o Prêmio José Saramago, O Livro dos Homens Sem Luz, O Bom Inverno,O Ano Sabático etc.
03 de junho de 2017
Bem, trabalhos prontos (ou pelo menos quase), hoje foram as apresentações. Cada grupo com sua peculiaridade, maneira de trabalhar, forma de transmitir conhecimento, apresentou em forma de vídeo o que há de herança portuguesa na cidade de Manacapuru. Notei que cada colega se esforçou e fez, dentro de suas possibilidades, uma boa apresentação. Mais uma vez foi enriquecedor. Aprendi mais ainda sobre meu município e como ainda há muito da herança dos portugueses na nossa cidade. Coisas que eu nem imaginava que eram heranças portuguesas, como a ciranda, por exemplo. Sou conhecedor dessa expressão cultural, mas nunca passou pela minha cabeça que tinha essa origem. Depois de todos os grupos apresentarem seus respectivos trabalhos, nossa professora, Dra. Auricléa Oliveira das Neves fez suas considerações, nos parabenizando pelo empenho e, claro, criticando, construtivamente, cada trabalho, trazendo sugestões para possíveis mudanças e algumas adaptações, já que esses trabalhos serão parte da programação da I Mostra da Cultura Portuguesa que acontecerá no dia 13 (terça-feira). Em resumo, tudo ocorreu dentro do esperado.
 05 de junho de 2017
Ainda sobre autores contemporâneos, nossa aula continua com a premiada autora portuguesa Lídia Jorge. Pelo que já foi exposto, pude aprender que ela fala em suas obras sobre a identidade portuguesa, dizendo que essa identidade é constituída por símbolos (bandeira portuguesa, por exemplo), maneira de falar etc. Lídia Jorge é ensaísta, romancista, e, como foi enfatizado, uma crítica de si mesma. Algumas de suas obras: O Cais das Merendas, Notícia da Cidade Silvestre, A Costa dos Murmúrios (romances), A Instrumentalina, O Conto do Nadador e O Belo Adormecido (contos).
Nesse momento estamos na hora do conto, ouvindo a leitura da obra A Instrumentalina, de Lídia Jorge para logo mais, na dinâmica local, discutirmos sobre as representações apresentadas no conto.
06 de junho de 2017
Hoje a aula está voltada para a revisão de tudo o que vimos nessas semanas que se passaram. Começando pelo Romantismo, estética baseada na idealização do amor, da mulher, da felicidade plena etc. Alguns autores trazem a ideia de liberalismo, como Julio Diniz. Seria, então, a exaltação da liberdade. O professor Franklin frisou várias vezes que essa ideia diz respeito ao fato de que cada um de nós é responsável pelo seu sucesso ou fracasso. A ideia liberal, de acordo com o que está sendo falado, é uma ideia que isenta tudo o que está ao nosso redor, que poderia ser os motivos de possíveis fracassos na vida.
Diferente do Romantismo, o Realismo observa, analisa e faz crítica social, mostrando a sociedade tal como ela é, cheia de contradições e hipocrisias. As obras desse período mostram os vícios, as mazelas, a maldade que nos cerca e que faz parte de nós. Mostra a sociedade nua e crua. Os autores dessa estética mostram essas questões sem problema nenhum.
09 de junho de 2017
Hoje é o encerramento desse componente curricular. Depois de algumas semanas de muito aprendizado e experiências novas, agora é hora de se despedir (por enquanto) dessa viagem que fizemos pelos Estudos Temáticos de Literatura Portuguesa II. A aula hoje continuará abordando a literatura de língua portuguesa na atualidade, com ênfase na literatura africana.
Está sendo exibido agora um mini documentário sobre a história da literatura africana. Quem está narrando os acontecimentos o comentando sobre o assunto é a professora e pesquisadora Renata Rolon. De acordo com o vídeo, algumas literaturas há cerca de vinte anos não eram conhecidas no Brasil, por isso pesquisas nessa área têm um campo de estudos bem amplo.
Depois de um passado oprimido, os africanos de língua portuguesa buscam o reencontro com sua cultura, pois durante muito tempo o que foi produzido nas ex-colônias de Portugal era uma espécie de cópia da cultura europeia. Só a partir dos movimentos de independência é que os textos africanos recebem o status de Literatura Africana.
A literatura africana é muito rica e há nela uma gama de autores extraordinários (foi mostrado nas cartelas alguns deles), porém recebem destaque na aula de hoje dois moçambicanos: Paulina Chiziane e o conhecidíssimo Mia Couto.
Antes de contextualizar um pouco sobre e a vida e a obra de Paulina Chiziane, vou deixar aqui registrado uma frase dela que me cativou:
"O lugar onde o negro está é sempre subalterno. Com a literatura começo a denunciar minha identidade como negra e mulher. Escrever é uma espécie de confissão. A literatura que me escolheu e pude encontrar um espaço para tentar transformar sentimentos, opiniões e mudar o mundo. Minha arma é minha caneta”.
Pois bem, a autora nasceu em Manjacaze (Moçambique) em 1955. Foi a primeira moçambicana a escrever um romance com o livro Balada de Amor ao Vento – isso foi bastante comentado pela professora Fátima. Foi na infância militante de um partido político pró-independência de Moçambique, mas após a conquista, deixou a política de lado, por conta de algumas decepções que teve com as os rumos adotados pelo partido e resolveu se dedicar à escrita, integralmente. Certamente o tema de justiça e igualdade ganha destaque na obra da autora, e por conta disso é considerada uma pacifista. Algumas de suas obras: Balada de Amor ao Vento, O Sétimo Juramento, As Andorinhas, Na Mão de Deus, entre outros.
Mia Couto. Eu li parte do seu romance Terra Sonâmbula, e até redigir um diário sobre essa leitura. Foi no componente curricular Teoria e Prática da Leitura. Foi muito proveitoso. Mia Couto, como já mencionei, é moçambicano. Nasceu no dia 5 de julho de 1955. É um autor contemporâneo muito lido e admirado, não só no seu país de origem, mas também em Portugal, no Brasil e no resto do mundo onde sua obra já chegou. Ela é bem extensa e diversificada, contendo romances, crônicas, poesias e contos. Seus livros já foram traduzidos para diversos idiomas e são publicados em mais de vinte e dois países. Eu pretendo continuar a leitura de Terra Sonâmbula em breve e quero ler outros livros do autor. Ele fla muito sobre guerras, as relações humanas, crenças e uma séria de outras temáticas.
Estamos assistindo agora A Hora do Conto. E claro, a obra lida é de Mia Couto, O Embondeiro que Sonhava Pássaros.
13 de junho de 2017
São 23h05, e agora vou para a última parte desse diário. Vou registar, de forma resumida, o que aconteceu na I Mostra da Cultura Portuguesa, que foi realizada por nós, acadêmicos do curso de Letras Mediado, na escola estadual André Vidal de Araújo. A programação foi muito boa, eu particularmente gostei muito do roteiro que foi seguido. Cada poema lido, música tocada, vídeo apresentado, foi tudo bastante satisfatório. Algumas coisas deixaram a desejar, mas isso é normal, acredito que fim tudo correu bem e atendeu as expectativas.
Nossa professora Dra. Auricléa Oliveira das Neves fez uma belíssima palestra sobre o grande José Saramago e vou aproveitar esse espaço para comentar um pouco sobre ele, já que não fiz isso ainda. Não posso encerrar esse diário, que trata da literatura portuguesa, sem mencionar um dos maiores escritores de nossa língua.
O autor dispensa apresentações, mas por motivos formais é bom contextualizar um pouco. Nasceu em 16 de novembro de 1922. Até hoje único escritor de língua portuguesa a ganhar o Nobel da Paz conquistado em 1998. Com uma vasta obra, desde a poesia à prosa, José Saramago deixa um legado inquestionável. Sempre deixou de forma bem explícita suas opiniões pessoais, o que lhe rendeu muitas polêmicas, principalmente no diz respeito à religiosidade. Uma de suas obras memoráveis é Ensaio Sobre a Cegueira (1995).  Esse romance foi adaptado para o cinema e foi lançado em 2008, dirigido por Fernando Meirelles.
Sobre o texto escrito o filme Ensaio Sobre a Cegueira, Registro aqui um comentário sobre eles:
Do filme “Ensaio sobre a cegueira”, destaco a cena na qual uma mulher, a única pessoa que continua enxergando em meio a uma epidemia de cegueira, conduz um grupo em fuga de um manicômio onde se encontravam confinados, pois as autoridades acreditavam que o problema atingiria apenas uma minoria. A cegueira, no filme como no livro, é a metáfora da insensibilidade e da indiferença em relação aos problemas dos outros, capaz, ainda, de reduzir o homem ao próprio universo de interesses egocêntricos e degradá-lo a ponto de descer ao porão selvageria, igualando-o ao nível dos chamados animais irracionais. Em contraponto, a lucidez da mulher metaforiza a solidariedade, o compromisso com o outro, os valores humanos que mantem a vida social e impedem o caos generalizado. A lucidez jamais poderia ser uma vantagem sobre o outro, um diferencial que permite a opressão e exploração do semelhante, mas, necessariamente, a possibilidade da partilha e da comunhão, sem o que a vida deixa de ser significativa e se constitui em absurdo.








Herança Portuguesa (Arquitetura)

O vídeo abaixo é fruto de um trabalho de um grupo de universitários da Universidade do Estado do Amazonas, o qual trata de algumas edificaç...