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quinta-feira, 13 de junho de 2019

CONCLUDENTES DO CURSO DE LETRAS FAZEM DEFESA DE TCC NO NESMPU/UEA

Por Thiago Oliveira

Nos dias 10, 11 e 12 próximos passados, no Núcleo de Ensino Superior da Universidade do Estado do Amazonas, em Manacapuru, os acadêmicos do curso de Licenciatura em Letras, mediado por tecnologia, realizaram a última atividade do curso.  Em clima de ansiedade e nervosismo, os acadêmicos defenderam seus trabalhos de conclusão de curso perante banca examinadora.  Entre os artigos apresentados, no total de 31, quatro versaram sobre obras literárias de autores manacapuruenses: “Marcas da oralidade no conto Olhos de pedra de amolar, da obra ‘Engenhos de Darléia’, de Rosely Barros”, defendido por Rosinete Souza; “Crítica social na poética de Elival Morais”, defendido por Raimundo Nogueira; “Literatura e memória: uma análise da narrativa memorialista na obra ‘O menino que laçava avião’, de Fausto Ventura, defendido por Nayla Araújo; e “Crítica ao presente com um olhar no passado: análise da obra ‘Os olhos de Manacapuru’, de vários autores, organizado por Cybelle Taveira Bentes e Janaína Maria Gonçalves, defendido por Johnatas Silva da Silva. A seguir, um súmula dos artigos referidos nesta matéria, orientados pela professora MSc. Raquel Salgado Marques.

AS MARCAS DA ORALIDADE NO CONTO “OLHOS DE PEDRA DE AMOLAR”, DA OBRA ENGENHOS DE DARLÉIA, DE ROSELY BARROS (resumo)

O presente artigo tem como objetivo analisar as marcas da oralidade no texto escrito, especificamente em uma narrativa literária, a qual permite aproximar o leitor desse universo maravilhoso que é o da leitura. Apesar de inserido no campo da Sociolinguística, elegeu-se uma narrativa literária (conto) como corpus da pesquisa para análise e coleta de dados. A pesquisa teve cunho bibliográfico de autores que tratam dessa temática, dentre eles se destacam: Fischer (2009); Higounet (2003); Bakhtin (2011); Marcuschi (2008); Botelho (2012); Bagno (2007), entre outros. Os resultados mostraram que há transposição da linguagem oral para a escrita na narrativa analisada e que, de maneira nenhuma, esse evento tornou o texto empobrecido, mas por se tratar de uma escrita literária, tornou-se rica em linguagem regional, coloquial e simples, causando assim a quebra de paradigmas da escrita gramaticalizada, tida em outros tempos como padrão de escritos literários.

CRÍTICA SOCIAL NA POÉTICA DE ELIVAL MORAIS (resumo)

Este trabalho se propôs a investigar a existência de crítica social na poética de Elival Morais. Inserida no campo dos estudos literários, a pesquisa, qualitativa em razão da natureza do corpus inquirido, adotou a abordagem dialético-reflexiva e, como procedimento, a investigação bibliográfica de autores como Bosi (2017), Candido (2000), D’Onofrio (1968), Moisés (2002), Perez (2009), que serviram de referencial teórico. Assim, após breve incursão na história da arte como crítica social - inclusa a literatura e notadamente a poesia -, procurou-se apresentar o eu biográfico e o eu lírico, além de um panorama de Marginália, única obra publicada de Elival Morais. No estudo da poética com crítica social, evidenciou-se uma riqueza discursiva extraída de temas e motivos diversos, cujo acervo vai do pessoal ao social, do simples ao complexo, do cotidiano ao histórico, do local ao universal. Embora o autor tenha se utilizados de vários recursos linguísticos como expediente de crítica, priorizou-se a identificação e evidenciação das figuras de linguagem, como a ironia, o neologismo, o paradoxo e a metáfora. Este trabalho, portanto, representa um texto fundador de futuros estudos da obra poética do autor manacapuruense e um estímulo ao público em geral no sentido de valorização da literatura local.

LITERATURA E MEMÓRIA: UMA ANALISE DA NARRATIVA MEMORIALISTA DA OBRA “O MENINO QUE LAÇAVA AVIÃO”, DE FAUSTO SEFFAIR VENTURA. (Resumo)

Este artigo, de cunho bibliográfico, propôs a análise da obra “O menino que laçava avião”, do autor Fausto Seffair Ventura, com a finalidade de demonstrar, por meio de uma abordagem qualitativa, os aspectos da narrativa memorialista presente na referente obra. Para se alcançar todos objetivos propostos, o referencial teórico foi elaborado a partir de artigos e teses já publicadas, que também abordam a literatura memorialista, preservando-se sempre a relação com a temática apresentada. Ressalta-se também a utilização de teóricos renomados em teoria literária, a citar: Antoine Compagnon, Jonathan Culler, Terry Eagleton, Antônio Cândido, dentre outros, que também participaram das discursões dialógicas estabelecidas nesse processo, que se deu por concluído a partir das respostas obtidas e dos resultados agora apresentados.

CRÍTICAS AO PRESENTE COM UM OLHAR PARA O PASSADO: ANÁLISE DA OBRA OS OLHOS DE MANACAPURU (resumo)

O presente artigo tem como objetivo analisar a(as) memória(as) e a denúncia social existentes na obra Os Olhos de Manacapuru, de Cybelle Taveira Bentes e Janaína Maria Gonçalves (Orgs.), caracterizando, para tanto, o gênero crônica e os recursos linguísticos utilizados na obra, mostrando como o olhar para o passado (memórias) respalda a crítica ao presente, e evidenciando as denúncias sociais reveladas no decorrer das narrativas. Fundamentando-se nos pressupostos teóricos de Filho (2007), Coutinho (1955), Candau (2006) e Maquêa (2010), a análise se desenvolveu por meio do diálogo entre esses autores e o conteúdo encontrado na obra. Assim, foi possível perceber que os escritores da obra em apreço construíram uma literatura capaz de satisfazer uma de suas atribuições fundamentais: ser uma ferramenta de denúncia e crítica social.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

ESTÁGIO SUPERVISIONADO I #LetrasLínguaPortuguesa #UEA

O vídeo é uma síntese da experiência vivida pelos acadêmicos Amábyle e Johnatas na EMEF Zoraida Ribeiro Alexandre, município de Manacapuru-AM.


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Análise Literária do Poema "FAZ ESCURO MAS EU CANTO" de Thiago de Mello


Amábyle Karoline
Irenilde Assis
Johnatas Silva
Lia Mara Veloso
Nayara Chargas
Raimundo Nogueira


INTRODUÇÃO

 O poema Faz Escuro Mais Eu Canto, de autoria do poeta amazonense Thiago de Mello, é um texto de gênero lírico que expressa sentimentos e emoções, permeados pela função poética do autor, enfatizando as dores, lutas e alegrias da sociedade em seus versos. O poema é parte do livro que leva seu nome, publicado em 1966, durante o período de ditadura militar, no qual Thiago de Mello esteve exilado e escreveu esta e muitas outras obras literárias.
Amadeu Thiago de Mello nasceu em 30 de Março de 1926, no município de Barreirinha no Estado do Amazonas. É um dos maiores e mais influentes poetas do país, reconhecido como ícone da literatura regional. Foi conhecido em 1975 internacionalmente, ainda no regime militar, como um intelectual engajado na luta pelos Direitos Humanos, com a publicação de algumas obras. A Obra Literária “Faz Escuro Mas Eu Canto” vincula-se na terceira geração do Modernismo e é marcada pelo engajamento político e pela preocupação social.
O país enfrentava nas décadas de 60 à 80, sucessivos governos militares, os quais puseram em prática vários atos constitucionais que suprimiram a liberdade de civis e que culminaram no encarceramento, tortura de civis e exilio de vários escritores, censurados por suas obras em todos os meios de comunicação do país.       

1 OBJETIVOS
1.1 OBJETIVO GERAL
Conhecer o gênero lírico e seus elementos a partir do poema Faz Escuro Mas Eu Canto de Thiago de Mello.
1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
·   Analisar o poema sob a perspectiva dos elementos teóricos que caracterizam o gênero lírico;
·   Apresentar o plano de expressão e estrutura do poema;
·   Identificar a temática abordada na obra.
2 ANÁLISE LITERÁRIA
2.1 Estrutura do poema
O texto de Thiago de Mello, um poema, pertence ao gênero lírico, que expressa, ordinariamente, sentimentos e emoções e se utiliza da função poética da linguagem. Quanto ao conteúdo, o poema em estudo aproxima-se de uma elegia, pois fala de um tempo tenebroso, de ausência de claridade, mas também de obstinação, inconformismo em face do momento vivido pelo eu lírico.
O poema possui uma única estrofe composta de quatorze versos heterométricos. O menor verso (“Já é madrugada”) tem cinco sílabas poéticas e o mais longo (“que é para esquecer o que eu sofria”), doze sílabas. A maioria dos versos, contudo, possui sete sílabas, fenômeno que dá ao poema certa regularidade rítmica.
Os versos não obedecem a um esquema de rimas, mas existem campos sonoros espalhados por todo o corpo do poema (mudar/esperar, alegria/sofria, coração/multidão, alegria/dia). A musicalidade é produzida, também, por sequencias de assonâncias e aliterações (“Vem ver comigo, companheiro” / “porque a manha vai chegar”) (ANEXO I).
No texto, há predominância do verbo na forma nominal do infinitivo: chegar, ver, mudar, dormir, esperar, esquecer, trabalhar. O presente ocorre com menor frequência: canto, quero, sofre, vamos, é. O pretérito imperfeito ocorre apenas uma vez; sofria (ANEXO I).
A forma nominal nomeia uma ação ou estado, mas que é neutra, quanto às suas categorias gramaticais tradicionais, ou seja, tempo, modo, aspecto, número, pessoa, como se vê, o poeta construiu seu poema evitando o uso de modelos fixos, no que diz respeito a estrofes, rítmicos, isto é deliberadamente evitou a fôrma.

2.2 Conteúdo do poema
O poema faz escuro mais eu canto tem como tema a exaltação do homem e sua luta pela liberdade e esperança, está carregado de críticas político social: o autor denuncia o caos político, faz alusão a várias temáticas relacionadas, a questão política do homem, também demonstra ser uma obra marcada por questões existenciais e de extremo engajamento social. Dando ênfase aos oprimidos e a luta por uma sociedade solidária. Ênio Silvera ressalta que:

A candente autenticidade de seus versos decorre, além do mais, da firme coerência que existe entre a obra e o modo de ser do poeta. Não se fechando em gabinetes, ele se põe por inteiro nessa luta em busca da justiça e da dignidade, e tem pago duro preço por isso, inclusive detenções arbitrárias e o amargor do exílio." (ÊNIO SILVEIRA)

Como boa parte da geração modernista de 45, a poesia de Thiago de Mello traz consigo a beleza amarga vivida pela ditadura, demonstrando uma enorme inquietação com a condição humana e a solidão que sofrera no exílio.
Relativo ao estilo de época a poesia de Thiago de Mello faz parte do Modernismo contemporâneo.
Sua poesia é dedicada ao canto de problemas sociais, humanos e especialmente contra o autoritarismo de 1964. A poesia de combate do poeta amazonense em Faz escuro, mas eu canto denuncia problemas vivido pelo autor.
Quanto ao plano de conteúdo é carregado de subjetivismo e intensa densidade existencial o que expressa dor e o sofrimento do ser humano diante de um mundo em ruinas. O poeta usa os seus versos como arma e ao mesmo tempo como um convite ao povo para juntar-se a ele nessa luta por liberdade (ANEXO I).
Em referência ao plano formal a poesia de Thiago de Mello já nasceu sob o signo da liberdade – essa liberdade contínua é exaltada. Faz uso de linguagem em construções simples. No poema faz escuro mas eu canto, o poeta não ostenta palavras difíceis em sua construção para que não dificultem a compreensão do leitor.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho fez uma abordagem sobre o gênero lírico que expressa sentimentos e emoções, utilizando-se da função poética, dando ênfase ao poema “Faz Escuro Mas Eu Canto” de Thiago de Mello, que traz no seu contexto uma bagagem literária não só de combinações de palavras e rimas, mas também a emoção do período da ditadura e mostra a luta pela liberdade de expressão, esse engajamento em despertar nos leitores os sentimentos e emoções vividos na época, expressa através do estado de alma do eu-lírico no poema.
Uma busca nas fontes especializadas, revela que existem poucos estudos e análises teóricas sobre autores e obras da nossa região, sendo certo que não se encontra na literatura especializada quaisquer estudos disponíveis ou acessíveis ao leitor comum sobre o poema “Faz escuro, mas eu canto”, de Thiago de Melo, o que justifica o presente trabalho.
Portanto a análise de um texto literário vai muito além de elementos constitutivos, envolve uma série de aspectos que nos instigam numa busca incessante de conhecimento, nos faz viajar além do tempo, provocando a reflexão não só do texto, mas de todo processo histórico, social e cultural de determinado período literário, nos dando além de aprendizagem, o prazer de degustar o universo literário e seus maravilhosos eu-líricos existentes nele.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

NASCIMENTO, Dilce Pio; SICSÚ, Delma Pacheco; LOURO, Francisca de Lourdes Souza. Teoria da Literatura II. Manaus: UEA Edições, 2016.
SAMUEL, Rogel. Novo Manual de Teoria Literária. 2ª Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.


http. www.jornaldapoesia.jor.br/htmn

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS: TENDÊNCIA LIBERAL RENOVADA

TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS: TENDÊNCIA LIBERAL RENOVADA

Amábyle Magalhães
Irenilde Assis
Johnatas Silva
Lauanda Menezes
Raimundo Nogueira

RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo mostrar alguns pontos e aspectos fundamentais da Tendência Liberal Renovada (Escola Nova).  A proposta é conceituar, contextualizar histórica, social e politicamente a aludida tendência pedagógica, bem como apresentar seu contexto no âmbito escolar, discorrendo de forma sintética sobre seus métodos de ensino-aprendizagem, apresentando também seus aspectos positivos e negativos.

Palavras-chave: Pedagogia. Tendência. Renovada


1 CONCEITUAÇÃO
A tendência Liberal Renovada (Escola Nova) tem como objetivo principal preparar o aluno para exercer seu devido papel na sociedade, partindo das necessidades e interesses individuais dele, necessárias à adaptação ao meio social. Dessa forma ele deve imitar a vida, pois é parte da própria experiência humana. A tendência Liberal Renovada (Escola Nova), propõe um ensino que valorize a autoeducação (o aluno como sujeito do conhecimento), defende a ideia de “aprender fazendo”, portanto centrada no aluno, valorizando as tentativas experimentais, a pesquisa, a descoberta, o estudo ao meio natural e social, levando em conta os interesses do aluno.
Dentro da tendência Liberal Renovada (Escola Nova), Luckesi também apresenta a Liberal Renovada não-diretiva. Nesta tendência prioriza-se o desenvolvimento das relações e comunicação favorecendo assim ao aluno um clima de realização pessoal. Não existe metodologia definida e sim o empenho do professor, utilizando técnicas de sensibilização que favoreçam o autoconhecimento pessoal na formação de atitudes. A avaliação torna-se desnecessária. E por fim é uma educação centralizada no aluno (no aspecto psicológico dele) que aprende assim a modificar as percepções da realidade.

2 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA, SOCIAL E POLÍTICA
A Tendência Liberal Renovada, segundo Libâneo (1994), surge na Europa em meados de 1920, como contraposição à tendência Tradicional. Entre as várias correntes, destaca-se a linha progressivista, baseada na teoria de John Dewey, e a não-diretiva, fundada nas ideias de Carl Rogers. Essa tendência, que ainda hoje influencia muitas práticas pedagógicas, surge no Brasil na década de trinta, tendo como principal representante Anísio Teixeira. Com a instalação do chamado Estado Novo, sob o comando de Getúlio Vargas, o Brasil experimenta várias mudanças importantes, como a adoção do voto feminino, a modernização das relações de trabalho, a substituição progressiva das importações pela indústria nacional, etc. Os sindicatos dos trabalhadores urbanos e as ligas camponesas pressionam o governo, que faz concessões em forma de reconhecimento de direitos, tornando-se atores importantes da vida política nacional. Setores militares e partidos de esquerda se destacam politicamente e passam a exercer grande influência nos movimentos sociais e nas disputas de poder. Tal contexto histórico, social e político exige o rompimento das concepções tradicionais pedagógicas que embaraçam as novas forças políticas, econômicas e sociais protagonistas desse novo momento histórico que substitui a chamada República Velha. Assim, a tendência Liberal Renovadora, em qualquer de suas versões, propõe-se a criar um novo ambiente, com mentalidade modernizante e ampliação do espaço de participação social. O papel da escola, nesta tendência, não se reduz a atender os interesses das elites oligárquicas, mas se presta a ordenar as necessidades individuais ao meio social.
3 CONTEXTO ESCOLAR E DE ENSINO-APRENDIZAGEM
A tendência Liberal Renovada (Escola Nova), no contexto educacional de ensino-aprendizagem, caracteriza-se pela priorização da democracia na construção de uma sociedade, considerando as diferenças e individualidades de cada aluno. Dessa forma, constituem-se métodos de ensino, com base nas atividades que estimulem a reflexão, as experiências vividas. A escola tem um papel significativo na maneira de encaminhar as experiências, a fim de determinar sua utilidade para a vida de cada indivíduo. Nessa concepção, o professor tem como função assessorar o crescimento desprendido e natural do aluno, sem intervir no seu modo de evolução, apenas organizando e sistematizando o raciocínio do mesmo. Assim, aprender torna-se uma prática de exploração e autoconhecimento, sendo o ambiente somente o meio encorajador e o professor apenas um orientador.
4 ASPECTOS POSITIVOS E NEGATIVOS
Dentre os aspectos positivos dessa tendência, destaca-se a função do aluno como sujeito ativo no processo de aprendizagem, tendo o professor o papel de orientador no processo de construção do saber; o saber surge a partir das necessidades individuais do aluno, que ao ser estimulado busca por si próprio o conhecimento através de experiências; e o fato de que nessa perspectiva pedagógica o mais importante não é o saber propriamente dito, e sim a forma de aquisição do mesmo. Por outro lado, é observável, também, um aspecto negativo: os críticos da tendência pedagógica Liberal Renovada (Escola Nova) alegam que o movimento abri mão de conteúdos essências e que não exige nada do aluno, estando sujeito apenas a seus interesses e espontaneidade.
5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Luckesi, Cipriano Carlos. Filosofia da Educação. São Paulo: Cortez, 1994. – (Coleção magistério 2º grau. Série formação do professor)
Escolas Pedagógicas. Disponível em: http://teoriaecriticaliteraria.blogspot.com.br/2010/02/escolas-pedagogicas.html



BREVE ANÁLISE DO CONTO "MAIBI" DE ALBERTO RANGEL

Leia o conto “Maibi” do livro Inferno Verde, de Alberto Rangel. Analise o texto e suas alegorias bem como seu contexto histórico observando os referentes aspectos do Realismo e Naturalismo.
O conto Maibi, de Alberto Rangel, integra o livro Inferno Verde, escrito pelo referido autor em 1908.  O conto faz alusão as atividades sócio-econômicas vigentes na região amazônica no século XX, a saber: o ciclo da borracha. Ciclo que este que teve seu apogeu entre 1890 e 1920, levando cidades como Manaus e Belém a gozarem de tecnologias que algumas cidades do sul e sudeste não possuíam (luz elétrica, bondes, água encanada, esgoto etc.). Toda essa "glória" teve também seu lado "negro": a exploração ambiciosa e desenfreada da Amazônia e o trabalho escravo vivenciado pelos trabalhadores nos seringais.
O texto é rico em figuras de linguagem, a começar pelo título "Maibi", que é uma metáfora para representar a Amazônia. O autor faz uso de recursos linguísticos que embelezam o texto: "A mata pintava-se de um mesmo verde-veroneso; o céu embebia-se de aguada azul da Prússia; as horas escorriam na lentura de um óleo denso, dessangrando por fino sangradouro; o sol rojava-se diariamente pelos seus paços imperiais, num servilismo de escravo". Ele faz uso também de denominações da época peculiares dos seringais, como: "brabos, mateiros, colocação no centro, fregueses do toco, frasco etc.". O conto se encerra com o martírio de Maibi e retoma a alegoria que alude a grande Amazônia. O autor compara a morte da cabocla a um holocausto, o qual representa tantos que padeceram no meio da floresta, dando seu próprio sangue por um sonho inalcançável. Maibi verteu seu sangue até a ultima gota, assim como "sagraram" a Amazônia até as últimas instâncias, motivados por um capital selvagem e desumano. "O martírio de Maibi, com a sua vida a escoar-se nas tigelinhas do seringueiro, seria ainda assim bem menor que o do Amazonas, oferecendo-se em pasto de uma indústria que o esgota".
Os aspectos do Realismo no conto são observados através do perfil dos personagens. A cobiça, a corrupção, a inveja e a exploração do outro, pois o autor tem uma visão objetiva da vida, pondo-se como observador distante, crítico e analítico. Aspectos do Naturalismo também estão presentes. No conto, o homem é apresentado como escravo do seu meio social, que luta pela sobrevivência. Referências a aspectos fisiológicos são características do Naturalismo, bem como às questões sexuais: "As carícias ardentes da moça iriam agora aplicar-se em outro... Nos braços de outro ela se arrebataria em juras e suspiros...".

(Johnatas Silva, aluno do 2° período de Letras da UEA)

domingo, 11 de setembro de 2016

VAGAS LEMBRANÇAS

Tudo meio inerte ultimamente. As euforias do perigo e do desejo pelo proibido já passaram. Só restam vagas e superficiais lembranças de um sonho que foi interrompido pelo soar de um despertador. Que seja assim: sem mais noites em claro; sem mais brilho no olhar; sem mais expectativas frustradas a cada minuto. Sinto uma mistura de momentos. Nada de hoje, é claro. Faz tempo que isso reside dentro de mim. 

Johnatas Silva 

Em: 09.09.2016

terça-feira, 6 de setembro de 2016

TEXTOS DE UMA PROVA QUE FIZ NO DECORRER DO CURSO #LetrasLínguaPortuguesa #UEA

1. A partir das três características da Ideologia, problematize-a relacionando com o Conhecimento, Escola e Filosofia.

A ideologia, como é assimilada pela sociedade contemporânea, sendo apenas a manutenção do status de poder de uma determinada classe social, está indiscutivelmente entrelaçada à produção de conhecimento, ao papel e finalidade da escola e a análise filosófica dessas questões. Isso se dá porque o pensamento ideológico irá, direta ou indiretamente, afetar ou até mesmo intervir na forma como essas questões são concebidas, já que, olhando por essa perspectiva, ela manipula as massas, fazendo-as acreditar numa falsa realidade. A escola, dentro dessa visão, nada mais é do que um aparelho reprodutor dos ideais “elitistas”, ajustando os indivíduos à determinada condição social. Dessa forma, até a crítica e o pensamento reflexivo (filosófico) do que há por trás das ideologias presentes na sociedade moderna é, de alguma maneira, comprometida, uma vez que uma crítica a qualquer conceito ideológico, surge, na maioria das vezes, de uma ideologia oposta àquela que está em evidência.

2. Estabeleça uma discussão sobre Educação Popular, Escola e Filosofia.

A Educação Popular era vista, e ainda é, por muitos teóricos e estudiosos, como uma forma de alienação e manipulação das camadas menos favorecidas da sociedade. Para eles ela não contemplava o real propósito de uma educação destinada para povo, que é o de servir como forma de inclusão social e libertação, formando cidadãos críticos e cientes da realidade que os cerca. Sendo assim, é preciso reavaliar o funcionamento e os procedimentos da escola na chamada Educação Popular. E para isso é indispensável o pensamento crítico e reflexivo desse processo. É inteiramente benéfico para sociedade como um todo que a escola, de fato, intervenha nos processos sociais de forma positiva, e prepare pessoas melhores para o convívio coletivo.

3. Contextualize as matrizes educacionais relacionando-as com as tendências pedagógicas.

As matrizes da educação brasileira ainda estão bem presentes no contexto social atual. É só atentarmos um pouco mais para nossos processos educacionais para vermos que ainda há a presença de uma fração, na forma de se trabalhar a educação, dos religiosos (os jesuítas), dos militares (existem escolas denominadas militares hoje e alguns processos, mesmo dentro do ensino público, são herdados dela), dos grupos escolares, criados no governo de Getúlio Vargas, também conhecidos como escola funil (um tipo de escola seletista) dentre outros modelos. Tudo isso estritamente relacionado as tendências pedagógicas, que estão vivas também entre nós. Algumas não mais com a força de tempos atrás, por terem sido ofuscadas por outras tendências, mas ainda atuantes na educação que está disponível hoje. E convenhamos, isso é necessário.

Acredito que hoje vivenciamos uma mescla dessas tendências. Por exemplo, o uso da autoridade do professor em certos casos, faz alusão às tendências mais conservadoras. A questão da qualificação de mão de obra para o mercado de trabalho, faz alusão a tendência tecnicista. O debate livre e o pensamento crítico sobre temas relevantes para nossa sociedade, faz clara alusão as tendências progressitas, baseadas na pedagogia de Paulo Freire. E a análise crítica do material didático que nos é oferecido hoje, faz alusão a tendência progressista crítico-social dos conteúdos. É exatamente nesse contexto que estamos inseridos.

4. Problematize a Educação como Redenção, Reprodução e Transformação da Sociedade.

As concepções filosóficas sobre a educação como Redenção, Reprodução e Transformação da sociedade suscitam controvérsias e debates entre os que se dedicam a área do ensino. Isso porque cada uma defende o conceito de educação bastante diferente um do outro. Vejamos: Mesmo sendo de cunho religioso, a educação como Redenção da sociedade falha ao afirmar que o caos social desaparecerá através de uma educação que traga o indivíduo a um estado de “pureza” moral, e é notório que isso é praticamente impossível. A educação como Reprodução é a mais criticada exatamente por ter o viés de manutenção da supremacia das “elites dominantes”. Nessa concepção, de nada adianta o esforço do professor em tentar fazer algo que mude a vida dos seus alunos, pois consciente ou não, ele está apenas legitimando a ideologia dominante vigente.  E por fim temos a educação como Transformação da sociedade, que visa, através de uma prática escolar crítica, produzir uma mudança significativa nas pessoas, para que consequentemente haja uma mudança mais abrangente.


(Johnatas Silva, aluno do 2° perído do Curso de Letras Língua Portuguesa da UEA)

domingo, 17 de julho de 2016

COMENTÁRIO SOBRE O LIVRO "Integridade Moral e Espiritual: O Legado do Livro de Daniel para a Igreja de Hoje"


Escrito pelo pastor Elienai Cabral, o livro Integridade Moral e Espiritual: O Legado do Livro de Daniel para a Igreja de Hoje, extrai, de forma simples, clara e objetiva, preciosas lições para a Igreja do século XXI. O livro foi lançado pela CPAD em 2014.

Por destacar o aspecto moral e espiritual da vida do profeta Daniel, o livro mostra como Daniel permaneceu fiel ao seu Deus, mesmo estando longe de sua terra natal, quando ainda era um adolescente. O autor mostra o que Daniel fez para não se contaminar com o sistema pagão da Babilônia, e como permaneceu firme em suas convicções de fé, sendo leal ao seu Deus até as últimas consequências.

O autor também reserva boa parte do livro (a maior parte) para falar das experiências vivenciadas por Daniel. O profeta teve sonhos, visões, interpretações e revelação profundas da parte de Deus, tanto relacionadas a seu tempo quanto a um período vindouro. O autor se arrisca em desencadear uma série de interpretações escatológicas, comparando as profecias de Daniel com outras partes da Bíblia, principalmente com o livro de Apocalipse.

A leitura do aludido livro me foi de grande importância e edificação. Não é um livro tão grande, tem apenas 148 páginas, o que facilita um pouco mais sua leitura. Apesar de ser um comentário teológico, eu recomendo (muito) sua leitura a todos os que desejam fortalecer sua fé e aprender um pouquinho mais acerca do reino de Deus. Boa leitura!

Referências

CABRAL, Elienai. Integridade Moral e Espiritual: O Legado do Livro de Daniel para a Igreja de Hoje. CPAD: 2014, Rio de Janeiro.


sexta-feira, 17 de junho de 2016

OPINIÃO: PRISÃO IMEDIATA DE QUEM SE RECUSA A PAGAR PENSÃO ALIMENTÍCIA

A pensão alimentícia, dentro das regularidades da lei, é imprescindível por servir de amparo para a manutenção de despesas para quem não dispõe de recursos próprios de subsistência. No entanto, há uma espécie de contrassenso, no que concerne a punição do indivíduo que deixa de pagar pensão - a punição é o regime fechado. Assim, a privação da liberdade do provedor, dificulta a obtenção de condições para providenciar o pagamento, uma vez que preso, o infrator terá mais dificuldade de fazê-lo. Isso faz com que os meios para que a dívida seja paga fiquem obstruídos. Dessa maneira, precisa-se urgentemente da criação de outras alternativas que auxiliem e, de alguma forma, facilitem o cumprimento do papel do provedor da pensão alimentícia.

(Johnatas Silva, aluno do Curso de Letras da UEA)

sexta-feira, 27 de maio de 2016

A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA PARA A COMPREENSÃO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO

Os ensinamentos da Psicologia da Aprendizagem contribuem para a reflexão sobre a importância de uma adequada compreensão do desenvolvimento humano e de suas articulações com a aprendizagem e com as relações sociais, para a construção, no espaço físico e social da sala de aula de um processo pedagógico qualitativamente superior.
Âmbitos educativos são os múltiplos contextos nos quais o ser humano está inserido. Devido a globalidade e diversidade das práticas pedagógicas, a Psicologia da Aprendizagem busca compreender como é possível a aquisição do conhecimento, através da relação professor-aluno. Ela permite perceber como os saberes são transmitidos e apropriados pelos indivíduos. A qualidade dessa transmissão de conhecimento está condicionada ao domínio que o educador tem dos processos de aprendizagem, haja vista ser ele um formador de personalidade, responsável ativo, dentro de suas competências, pela formação e desenvolvimento intelectual do educando.

(Johnatas Silva, aluno do 2º período do curso de Letras Língua Portuguesa da UEA)

COLABORAÇÃO DA PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM PARA O PROFESSOR NO ENSINO DAS LETRAS

Como os conceitos principais da Psicologia da Aprendizagem podem colaborar para a atuação profissional no ensino de Letras?
Os conceitos principais da Psicologia da Aprendizagem são importantes porque possibilitam ao educador uma compreensão mais profunda dos processos educacionais, permitindo-lhe identificar e entender determinados tipos de comportamento no contexto escolar. Como esses conceitos se concentram, na sua maioria, no funcionamento do cérebro, dominá-los de maneira equilibrada ajuda a melhorar a performance do educador, melhorando, também, a aplicação didática das diversas vertentes do conhecimento, uma vez que esse educador está na posição de mediador entre o conhecimento e o aluno. Certamente, havendo aplicação dos conhecimentos descritos acima, um ensino-aprendizagem de qualidade será uma consequência natural para qualquer que se dispunha a construir conhecimento (ensinar).
(Johnatas Silva, aluno do 2º período do curso de Letras Língua Portuguesa da UEA)

quarta-feira, 18 de maio de 2016

A NEGLIGÊNCIA DOS BRASILEIROS EM RELAÇAO AO AEDES AEGYPTI CONTINUA TRAZENDO SÉRIOS PROBLEMAS

EDITORIAL
A NEGLIGÊNCIA DOS BRASILEIROS EM RELAÇAO AO AEDES AEGYPTI CONTINUA TRAZENDO SÉRIOS PROBLEMAS
Gazeta de Manacá
[17/05/2016]
[15h30]

Não é de hoje que o Aedes Aegypti, mais conhecido como mosquito da Dengue, vem causando graves problemas de saúde aos brasileiros. Já são mais de 30 anos de convivência com ele, e o que se percebe é que boa parte da população ainda não se deu conta da ameaça que é o mosquito, mesmo sendo do conhecimento de todos que os vírus transmitidos por ele podem levar a morte.
Não bastasse a tão temida Dengue, o mosquito agora transmite mais dois tipos de vírus: o Chikungunya e o Zika. Os dois causam sérios danos à saúde, como fortes dores nas articulações – sintomas do Chikungunya – e, uma das mais graves, a microcefalia, que resulta na má-formação do cérebro – causada pelo Zika. Por conta disso, brasileiros e brasileiras têm sofrido com esses males dia após dia.
O governo, seja na esfera Federal, Estadual ou Municipal, já durante muito tempo vem fazendo um trabalho de conscientização da população por meio campanhas em massa de mobilização social contra o Aedes Aegypti. Essas campanhas consistem em ações práticas por meio do sistema de saúde pública, que incentivam cada cidadão brasileiro a ser um agente ativo na luta contra o mosquito, começando por sua própria casa.
Contudo, apesar de ser um exercício que não requer tanto esforço, como a simples verificação de possíveis criadouros do mosquito (qualquer tipo de local ou objeto que possa acumular água parada), grande parte da população ainda tem sido negligente nesse aspecto. Pois, se ao invés de termos uma redução no número de infectados pelos vírus, temos um aumento, é de se concluir que há certa indiferença dos brasileiros em relação a sua própria saúde e a de seus semelhantes.
Todos são responsáveis pela eliminação do Aedes Aegypti. Nesta batalha, tanto o cidadão comum como as autoridades têm o mesmo propósito: evitar que o mosquito nasça.
(Johnatas Silva, aluno do curso de Letras Língua Portuguesa da UEA – Universidade do Estado do amazonas)


terça-feira, 22 de março de 2016

PRODUÇÃO ACADÊMICA: DIFICICULDADES DOS ACADEMICOS DE LETRAS DA UEA DE MANACAPURU

PRODUÇÃO ACADÊMICA: DIFICICULDADES DOS ACADEMICOS DE LETRAS DA UEA DE MANACAPURU
Amábyle Karoline
Irenilde
Johnatas Silva
Lauanda Menezes
Lia Mara
Michelly Picanço
Raimundo Nogueira
Rosinete

RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo dar publicidade a algumas reflexões acerca da observação de uma dificuldade comum aos acadêmicos do curso de letras da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) no município de Manacapuru – a dificuldade em produção de textos acadêmicos. Por meio de entrevistas com os acadêmicos e com a professora mediadora, além da pesquisa bibliográfica, foi possível definir um ponto em comum na gênese desse problema de modo que, com as informações obtidas, tornou-se viável a apresentação de uma atitude capaz de remediar ou minimizar os efeitos negativos dessa dificuldade comum.
Palavras-chave: Metodologia. Acadêmicos. Dificuldades.


1 INTRODUÇÃO

Ao realizar uma breve observação empírica da turma de Letras, acadêmicos da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), no polo de Manacapuru, verificou-se um problema comum – a dificuldade em produção de textos científicos.

Com base nessa observação, pôde-se delimitar um tema sobre a produção acadêmica tendo como objeto de estudo asdificuldades dos acadêmicos de Letras da UEA de Manacapuru.

Essa escolha temática fez-se relevante por ser um assunto bastante discutido dentro da instituição de ensino e a presente pesquisa tem como objetivo verificar as principais dificuldades relacionadas a produção de textos científicos pelos acadêmicos e mostrar o nível de conhecimento dos estudantes universitários acerca da disciplina Metodologia do Estudo e do Trabalho Científico, antes e após seu ingresso à universidade.

            Para que se obtivesse êxito nos objetivos propostos, aplicou-se, por meio de amostragem aleatória, um questionário aos acadêmicos e realizou-se uma breve entrevista com a professora doutora responsável pela mediação do curso em Manacapuru.


Com o intuito de facilitar o entendimento essa pesquisa encontra-se dividida em tópicos que buscam mostrar a importância da metodologia para discentes não só no Ensino Superior, mas desde o Ensino Fundamental.


2 DIFICULDADE NA PRODUÇÃO TEXTUAL ACADÊMICA

2.1 Caraterização do problema

Os acadêmicos do Curso de Letras da Universidade do Estado do Amazonas, turma de Manacapuru, ingressos no segundo semestre de 2015, queixam-se de dificuldades na produção de trabalhos científicos, uma reclamação confirmada pela professora assistente, que recebe e avalia a produção da turma.

Segundo os próprios acadêmicos, a dificuldade consiste em duas limitações básicas: primeira, não conseguem encontrar palavras para expressar o pensamento; segunda, não dispõem ou dispõem de informações escassas sobre o tema ou assunto proposto.

Para a professora doutora assistente, Auricléa Oliveira Neves, os textos produzidos pelos acadêmicos também revelam, sobretudo, dois problemas fundamentais, a saber: a dificuldade de estabelecer, no texto, coerência nos aspectos lógicos, semânticos e cognitivos; e dificuldade de produzir coesão adequada entre os conceitos e relações expressos na produção textual.

Em síntese, o problema se caracteriza, por um lado, pela limitação do aluno quanto ao vocabulário e o repertorio de informações, e, por outro, por significativa limitação na formulação coerente do pensamento escrito, nos aspectos internos e externos. 


2.2 As causas


A educação de metodologia científica, especialmente a que se volta para a produção de textos, sobretudo acadêmicos, é uma realidade recente na sociedade amazonense.

Anos atrás discutia-se em plenário legislativo a importância de se desenvolver economicamente as regiões Norte e Nordeste do Brasil. Enquanto esse era o tópico, por anos as práticas de ensino basilar ficaram carentes de métodos que desenvolvessem nos alunos o pensamento científico.

Os resultados dessa omissão, para não se falar em negligência, acabou por arraigar-se na sociedade nortista e sua descrição pode ser parafraseada em Rosistolato apud Durkheim (2012) quando afirma:

(…) caso a educação não funcione adequadamente, a sociedade estará em vias de extinguir-se. Não é o fim da sociedade, mas o fim de um determinado modelo social que depende da educação para se reproduzir (…) o que interessa à educação é a influência exercida sobre as crianças e os adolescentes.
É clara a dificuldade encontrada pelos alunos de curso superior em produzir com clareza textos científicos. Essa dificuldade só evidencia a influência exercida pelos professores sobre os alunos das fases básicas dos ensinos, pois, por maioria, aqueles mesmos não teriam domínio sobre essas práticas.

Para salientar essas dificuldades e procurar o aprofundamento é importante verificar pelo menos duas perspectivas – a do aluno e a do professor.

Reclamam, finalmente, que não foram apresentados à metodologia do estudo e do trabalho acadêmico durante toda a travessia da educação básica, especialmente no ensino médio, de modo que o primeiro contato com a disciplina ocorreu – de forma abrupta e traumática – somente na universidade.

2.2.2 Na perspectiva da professora

Na perspectivada professora assistente a dificuldade decorre, sobretudo, de deficiências da educação básica que, em geral, não consegue habilitar o aluno para o pensamento reflexivo, nem o capacitar para o registro escrito dessa reflexão em nível de produção textual acadêmica.

Segundo a professora doutora Neves, em entrevista à essa equipe, a escola da educação fundamental e média pouco contribui para a construção do raciocínio e do pensamento do aluno, de modo que resulta sensivelmente debilitada a capacidade de articulação coerente de ideias e conceitos como consequência perece a construção da argumentação propriamente dita.

Nesse sentido, a professora destaca a ausência, no ensino médio, de treinamento contínuo e intensivo na produção de texto, que deveriam ser necessariamente corrigidos e reescritos pelo aluno, como forma de desenvolver sua habilidade de registro escrito do pensamento, em linguagem escorreita.

A professora ressalta a frágil aprendizagem na educação básica de aspectos da língua como os conectores e a sintaxe responsáveis respectivamente pela coesão e coerência do texto.

Em suma, as dificuldades decorrem de deficiências crônicas acumuladas ao longo da educação básica que dificilmente serão superadas em pouco tempo no ensino superior.

2.3 Um possível caminho de superação

A soma dos fatores acima descritos torna-se empecilho para a produção de trabalhos acadêmicos, atividade que é uma prática necessária na formação de nível superior. Com os acadêmicos da turma do Curso de Letras, da Universidade do Estado do Amazonas, polo de Manacapuru, não é diferente, enfrentam, de modo geral, dificuldades na produção de seus trabalhos acadêmicos.

Haveria, então, um caminho para eliminação e/ou minimização dos efeitos dessas dificuldades? Essa abordagem não é totalmente nova no ambiente científico, Lüdke (2002 p. 103) informa o seguinte:

Nas três últimas décadas vem se consolidando na discussão acadêmica uma perspectiva nítida de valorização da pesquisa e de estímulo ao seu desenvolvimento junto às atividades do docente da educação básica.
Já se tem a necessidade do desenvolvimento de produção científica nas fases iniciais do ensino para que no futuro não ocorra o impacto de metodologias. Mas hoje, para quem não teve o primeiro contato com essa prática, ainda é possível correr atrás do prejuízo.

Considerando as peculiaridades da turma do Curso de Letras, polo de Manacapuru, sugere-se como sugestão a formação de grupos de estudos, no horário diurno nos dias comuns da semana ou diurno e noturno aos sábados, conforme a disponibilidade de tempo.

A pauta dos grupos de estudo seria então a revisão dos aspectos da língua portuguesa mais relevantes para a construção do pensamento e do raciocínio, destacadamente os conectores da língua e os elementos de coerência nos aspectos lógicos, semânticos e cognitivos.

Esses aspectos, contudo, deverão ser trabalhados sempre e insistentemente na perceptiva da produção textual, de modo que se espera, se não a superação das dificuldades, pelo menos sensível melhora na performance do acadêmico de Letra de Manacapuru.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao realizar a análise dos dados obtidos com a pesquisa, pôde-se verificar que a dificuldade encontrada pelos alunos para a produção de textos científicos encontra-se intimamente ligada ao fato dessa prática não ter sido exercitada nas fases anteriores do ensino ao qual eles tiveram acesso.

Outro fator contribuinte para dificuldade que ficou evidente foi a carência da prática de bons hábitos de leitura, pois é notório observar que quanto mais conhecimento advindo da leitura o aluno possuir, mais rápido será o desenvolvimento das ideias que devam ser passadas para a linguagem escrita.

A aplicação da proposta para “correr atrás do prejuízo” e intensificar os estudos e a prática de produção textual em horários alternativos às aulas pode ser importante para que se solucione o problema ou, pelo menos, sejam seus efeitos minimizados. Não houve tempo para que essa hipótese pudesse ser avaliada.

Ainda em fase de discussão de resultados pôde-se observar que a dificuldade sobre a temática é tão grande que talvez seja uma das principais razões para um elevado índice de evasão dos alunos nessa fase.

4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Carniel, Fagner; Feitosa, Samara (org.); Rosistolato, Rodrigo… [et al]. A Sociologia em sala de aula: diálogo sobre o ensino e suas práticas. Base Editorial: Curitiba, 2012.

Lüdke, Menga… [et al]. 2ed. Ensinar e aprender: sujeitos, saberes e pesquisa. DP&A: Rio de Janeiro, 2002.

Schopenhauer, Arthur. A Arte de Escrever. L&PM: Porto Alegre, 2011 

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