Leia o conto “Maibi” do livro Inferno
Verde, de Alberto Rangel. Analise o texto e suas alegorias bem como seu
contexto histórico observando os referentes aspectos do Realismo e Naturalismo.
O
conto Maibi, de Alberto Rangel, integra o livro Inferno Verde, escrito pelo
referido autor em 1908. O conto faz
alusão as atividades sócio-econômicas vigentes na região amazônica no século
XX, a saber: o ciclo da borracha. Ciclo que este que teve seu apogeu entre 1890
e 1920, levando cidades como Manaus e Belém a gozarem de tecnologias que
algumas cidades do sul e sudeste não possuíam (luz elétrica, bondes, água
encanada, esgoto etc.). Toda essa "glória" teve também seu lado
"negro": a exploração ambiciosa e desenfreada da Amazônia e o
trabalho escravo vivenciado pelos trabalhadores nos seringais.
O
texto é rico em figuras de linguagem, a começar pelo título "Maibi",
que é uma metáfora para representar a Amazônia. O autor faz uso de recursos linguísticos
que embelezam o texto: "A mata pintava-se de um mesmo verde-veroneso; o
céu embebia-se de aguada azul da Prússia; as horas escorriam na lentura de um
óleo denso, dessangrando por fino sangradouro; o sol rojava-se diariamente
pelos seus paços imperiais, num servilismo de escravo". Ele faz uso
também de denominações da época peculiares dos seringais, como: "brabos,
mateiros, colocação no centro, fregueses do toco, frasco etc.". O
conto se encerra com o martírio de Maibi e retoma a alegoria que alude a grande
Amazônia. O autor compara a morte da cabocla a um holocausto, o qual representa
tantos que padeceram no meio da floresta, dando seu próprio sangue por um sonho
inalcançável. Maibi verteu seu sangue até a ultima gota, assim como
"sagraram" a Amazônia até as últimas instâncias, motivados por um
capital selvagem e desumano. "O martírio de Maibi, com a sua vida a
escoar-se nas tigelinhas do seringueiro, seria ainda assim bem menor que o do
Amazonas, oferecendo-se em pasto de uma indústria que o esgota".
Os
aspectos do Realismo no conto são observados através do perfil dos personagens.
A cobiça, a corrupção, a inveja e a exploração do outro, pois o autor tem uma
visão objetiva da vida, pondo-se como observador distante, crítico e analítico.
Aspectos do Naturalismo também estão presentes. No conto, o homem é apresentado
como escravo do seu meio social, que luta pela sobrevivência. Referências a
aspectos fisiológicos são características do Naturalismo, bem como às questões
sexuais: "As carícias ardentes da moça iriam agora aplicar-se em
outro... Nos braços de outro ela se arrebataria em juras e suspiros...".
(Johnatas Silva, aluno do 2° período de Letras da UEA)
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